29/06/2021
Neste dia de lutas, retomamos cumprindo nosso dever de informar os resultados preliminares de nossos primeiros estudos inéditos no Brasil.
Primeiro, foi necessário compilar os resultados de 4000 artigos, reduzidos à metade para entender que a maior parcela das pesquisas nacionais ainda aborda a temática do estigma sexual entre mulheres LB+ como uma questão de preconceito de gênero, ou, quando admitindo sua existência, adotando uma perspectiva restritiva do mesmo.
Enquanto nos Estados Unidos e em outros continentes a pesquisa sobre estigma sexual é amplamente difundida, no Brasil ainda se adota em muitos casos uma perspectiva essencialista, teórica e unidimensional.
Conseguimos mostrar que estigma sexual é um termo guarda-chuva usado para se referir a dezenas de atributos diferentes que precisam ser especificados no início de cada pesquisa. Não existe um conceito unívoco de estigma sexual.
A pesquisa confirmou que se quisermos medir estigma sexual teremos que recorrer a instrumentos psicológicos multidimensionais como aquele que ajudamos a testar no Brasil. Após um estudo de alcance nacional, que levou cerca de seis etapas para ser concluído, ficou confirmado que nosso instrumento conseguiu identificar a presença de estigma sexual na população LB+ brasileira, mostrando que o fenômeno precisa ser debatido especificamente pela comunidade acadêmica e não ficar resumido dentro da discussão sobre o preconceito.
Foi realizada uma coleta de dados online com 314 participantes, mostrando que o estigma sexual também merece ser tratado como questão de saúde pública, já que se correlacionou positivamente com sintomas de adoecimento, contribuindo para depressão e ansiedade.
Por fim, os estudos mostraram a necessidade de continuar a investigação sobre o problema, de modo que estaremos lançando mais pesquisas sobre o assunto para alcançar mais pessoas e assim conseguirmos evidências de maior peso estatístico.