02/04/2026
Autismo em meninas na adolescência: especificidades clínicas e desafios diagnósticos 💙
O Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme o DSM-5-TR, apresenta critérios diagnósticos universais; no entanto, sua manifestação em meninas, especialmente na adolescência, tende a ocorrer de forma mais sutil e frequentemente subdiagnosticada.
Estudos indicam que meninas com TEA apresentam maior capacidade de camuflagem social (masking), utilizando estratégias compensatórias para imitar comportamentos sociais esperados, o que pode mascarar prejuízos nos domínios da comunicação e interação social (Critério A).
Do ponto de vista clínico, é comum observar: • dificuldades na reciprocidade socioemocional, apesar de aparente engajamento social
• esforço cognitivo elevado para manutenção de interações
• interesses restritos com temática socialmente aceita (ex.: literatura, cultura pop), o que reduz a suspeita diagnóstica
• maior prevalência de sintomas internalizantes, como ansiedade e depressão
• exaustão social e sobrecarga emocional associadas ao masking
No funcionamento neuropsicológico, podem estar presentes: • alterações na cognição social e teoria da mente
• prejuízos na flexibilidade cognitiva
• sobrecarga em funções executivas diante de demandas sociais complexas
A adolescência representa um período crítico, devido ao aumento das exigências sociais, intensificação das relações interpessoais e construção identitária, o que frequentemente evidencia dificuldades previamente compensadas.
A avaliação neuropsicológica é essencial para a identificação do TEA nesse público, contribuindo para o diagnóstico diferencial e para o planejamento de intervenções individualizadas.
Reconhecer o TEA em meninas é fundamental para reduzir sofrimento psíquico, evitar diagnósticos equivocados e promover estratégias de cuidado adequadas.
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