20/05/2026
O paciente chega ao consultório com testosterona adquirida sem prescrição, com indicação de academia, de grupo de aplicativo ou de uma pesquisa rápida na internet. A expectativa é ganhar massa muscular e recuperar energia. O que ninguém explica antes: quando o organismo recebe testosterona exógena sem critério, o próprio eixo hipotálamo-hipófise-testicular detecta o excesso e, por mecanismo de retroalimentação negativa, suprime a produção natural. O LH e o FSH caem.
A produção endógena para. A espermatogênese é comprometida. Estudos mostram que a recuperação leva de 6 a 18 meses após a interrupção e, em uma parcela dos casos, não ocorre de forma completa. Além disso, a testosterona se converte em DHT pela ação da enzima 5-alfa-redutase: em homens com predisposição genética, esse processo acelera a calvície. Ela também pode ser aromatizada em estradiol, favorecendo o acúmulo de gordura e, em alguns casos, a ginecomastia. O aumento excessivo na produção de glóbulos vermelhos, condição chamada policitemia, que eleva o risco de trombose e eventos cardiovasculares na ausência de monitoramento, completa o quadro.
A testosterona pode ser indicada. Existe protocolo, existem exames, existe a dose correta e existe acompanhamento contínuo. Usá-la sem avaliação clínica adequada é onde os problemas começam. O eixo hormonal não aceita improviso.
CLÍNICA SALUTE E LONGEVITA
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