30/12/2025
A gente vive num tempo em que tudo precisa ser rápido, fácil, indolor.
Como se aquilo que realmente transforma pudesse vir em cápsulas, frases prontas ou decisões sem consequência.
Mas a vida não funciona assim.
Nunca funcionou.
As coisas que realmente importam têm preço, e não estou falando só de dinheiro.
Estou falando de desconforto, de frustração, de abrir mão de padrões antigos que até protegiam, mas já não sustentam mais.
Estou falando do custo emocional de crescer, de se responsabilizar, de parar de terceirizar escolhas.
A terapia entra exatamente nesse lugar. Não como um caminho mágico, mas como um espaço honesto.
Um lugar onde você paga o preço de se olhar sem maquiagem, de ouvir verdades que não cabem em frases motivacionais, de atravessar emoções que você passou anos evitando.
Terapia custa porque exige presença. Exige coragem.
Exige sustentar processos que não têm aplauso imediato.
Escolhas boas pra vida também cobram. Cobram dizer não quando seria mais fácil agradar.
Cobram frustração quando você decide não repetir o que é familiar.
Cobram solidão em alguns momentos, silêncio, pausa, revisão de rotas.
Cobram abrir mão de versões antigas de si que já não combinam com quem você está se tornando.
O problema é que muita gente quer o valor, mas não o preço.
Quer paz sem atravessar conflitos.
Quer autoestima sem encarar as próprias feridas.
Quer relações maduras sem aprender a colocar limites.
Quer uma vida melhor, mas sem mexer no que sustenta a vida que tem hoje.
Crescer dói porque desorganiza.
Cura não é confortável porque tira do automático.
Consciência pesa porque acaba com as desculpas.
Mas tudo isso tem um valor imenso.
Um valor que aparece quando você começa a se sentir mais inteira, mais coerente, menos refém dos mesmos ciclos.
No fim, não é sobre pagar caro.
É sobre parar de pagar barato demais pela própria vida.
Porque o que custa pouco demais, geralmente sai caro depois.
E o que vale muito, quase sempre pede um preço à altura.
Leticia Menescal
Psicóloga