05/12/2025
Ao interferir na composição das equipes cirúrgicas e impedir que anestesiologistas assistam seus próprios pacientes, a medida se mostra insegura e contrária aos melhores padrões da prática médica, inclusive com respaldo na literatura1,2, assim como viola direitos fundamentais assegurados pelo Código de Ética Médica e pelas normas que regem o exercício profissional, pois:
- Restringe a liberdade do médico de assistir seus pacientes em qualquer hospital, ainda que não integre o corpo clínico do hospital;
- Tolhe o direito do paciente de escolher seu anestesiologista, profissional que compõe sua equipe de confiança;
- Interfere na autonomia médica e na composição das equipes cirúrgicas, rompendo vínculos técnicos essenciais para a segurança assistencial.
A relação entre cirurgião, anestesiologista e paciente é construída com base em confiança técnica e integração, fatores essenciais para a tomada de decisões pré, intra e pós-operatórias. Romper essa dinâmica injustificadamente, por razões meramente administrativas, é medida inaceitável e desrespeitosa com os profissionais e pacientes.
A SAERJ reafirma que, conforme previsão no Código de Ética Médica, nenhuma instituição hospitalar pode impedir o médico anestesiologista de assistir seus pacientes, tampouco pode impor ao paciente um profissional que não seja de sua escolha.
A SAERJ permanecerá vigilante e atuante na defesa da autonomia médica, da liberdade profissional, da boa prática da anestesiologia e, sobretudo, da segurança e do direito de escolha do paciente.
1 - Familiarity of the Surgeon-Anesthesiologist Dyad and Major Morbidity After High-Risk Elective Surgery, JAMASurg.doi:10.1001/jamasurg.2025.1386.
2 - Critical Role of the Surgeon–Anesthesiologist Relationship for Patient Safety, Anesthesiology 2018; 129:402-5.
A Diretoria