10/09/2025
O impacto do trauma emocional pode ir muito além da mente e do comportamento: ele também se manifesta na voz.
Muitos cantores relatam mudanças significativas após experiências emocionais intensas, percebendo que a voz já não responde da mesma forma. Essas alterações podem incluir dificuldade para sustentar notas, redução da potência vocal, instabilidade na afinação e até a sensação de bloqueio ou aperto da garganta.
Isso acontece porque o trauma gera padrões de defesa no corpo, como tensão muscular, respiração encurtada e mecanismos inconscientes que afetam diretamente a emissão vocal. A voz, que é uma expressão íntima das nossas emoções, acaba refletindo aquilo que o corpo e a mente ainda não conseguiram elaborar plenamente.
Nesses casos, a abordagem terapêutica integrada é fundamental. Do lado da fonoaudiologia, os exercícios são direcionados para reorganizar a coordenação respiratória, trabalhar a ressonância e devolver flexibilidade e potência à voz. Já no campo da psicologia, o foco está em acolher e ressignificar a experiência traumática, reduzindo os gatilhos emocionais que podem gerar insegurança ou travas durante o canto.
Restaurar a liberdade vocal não é apenas um processo técnico, mas também emocional. Quando corpo e mente se alinham, a voz volta a fluir com autenticidade, potência e confiança. ✨
Liliane Carmona
Fonoaudióloga & Psicóloga
CRFa 1 11.143/ CRP 05/73563