01/01/2026
Feliz Ano Novo 🤝❤🌎🧘🏻♀️🧙♀️🙏🌳🏹🇵🇸🇧🇷🕉
Abaixo, trechos do pequeno grande livro de Ailton Krenak, cheio de sabedoria e inspirações, que recebi de presente da profa . Obrigada, Julia 🙏💓
"Em um futuro não muito distante, seremos todos transformados em espectadores. Não vamos precisar fazer mais nada: a gente vai se concetar ao acordar, tal qual um trabalhodor batendo o ponto, e depois desconectar na hora de dormir. E vamos poder consumir tudo que quisermos, durante a vida inteira, porque o capitalismo vai dar tudo prara a gente (sic). A professora Conceição Evaristo disse uma coisa genial: as pessoas acham mais fácil acabar com o mundo do que acabar com o capitalismo. É verdade, simplesmente nos acomodamos com a ideia de que o capitalismo não vai acabar, pelo contaráiro: ele vai entuchar a gente de coisas e mais coisas, e vamos ter tanta comida, tanta bebida, tanto de tudo, que não vai faltar mais nada. E assim a gente segue, encalusurados nas metrópoles, deixando essa ideia absurda nos levar."
"Tenho percebido que estou me expondo demais, abusado dessa tecnologia, e observado que ela pode nos induzir a uma grande ilusão de resultado, de eficácia. Você se dedica a esse ambiente por horas a fio e acha que está movendo alguma coisa, mas na verdade podemos ficar ali a vida inteira e não mover nada."
"Tem uma frase interessante que é atribuída ao Einstein: 'A vida começou aqui na Terra sem os humanos e pode terminar sem nós!' Esse 'pode' é um cuidado lá dele, de não detonar de vez a bomba. Já eu sou mais arrogante e digo que a vida começou sem os humanos e vai acabar sem a gente. Não somos os donos da chave nem seremos os últimos a sair. Aliás, acho antes que seremos postos para fora - por incompetência, inadimplência, abuso e todo tipo de prevaricação em que a gente se meteu em favor da ideia de prolonga nossa própria vida."
"Os orixás, assim como os ancestrais indígenas e de outras tradições, instituíram mundos onde a gente pudesse experimentar a vida, cantar e dançar, mas parece que a vontade do capital é empobrecer a existência. O capitalismo quer um mundo triste e monótono em que operamos como robôs, e não podemos aceitar isso."