04/12/2025
Um estudo populacional dinamarquês, publicado no European Heart Journal, mostrou que o risco de morte cardíaca súbita é significativamente maior em pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 e de forma especialmente marcante em adultos jovens. O risco foi 3,7 vezes maior no tipo 1 e 6,5 vezes maior no tipo 2, quando comparados à população geral. A morte súbita também contribuiu de maneira relevante para a perda de expectativa de vida: 3,4 anos no tipo 1 e 2,7 anos no tipo 2.
Os mecanismos são multifatoriais. Além da maior prevalência de doença coronariana, fatores específicos do diabetes, como hipoglicemias graves, variabilidade glicêmica acentuada e neuropatia autonômica cardíaca, ampliam a vulnerabilidade elétrica do coração. Em pessoas mais jovens, isso se torna ainda mais crítico, já que a morte súbita é rara nessa faixa etária na população geral, mas pode ocorrer até sete vezes mais em indivíduos com diabetes.
Outro ponto importante é o contexto temporal: os dados analisam o ano de 2010, antes da adoção ampla de terapias cardioprotetoras como SGLT2 inibidores e agonistas do GLP-1. Ou seja, parte desse risco pode ter sido atenuado ao longo da última década, mas a magnitude dos achados mostra que ainda há muito a ser feito em prevenção.
Na prática clínica, isso reforça a necessidade de estratificação mais detalhada: avaliar sintomas discretos (palpitações, tonturas, fadiga desproporcional), investigar neuropatia autonômica, revisar episódios de hipoglicemia e priorizar o uso de medicamentos com impacto cardiovascular. Também abre espaço para novas estratégias, incluindo monitorização de arritmias e tecnologias que detectem eventos cardíacos precocemente.
Para quem vive com diabetes: esse tema não é para assustar, mas para esclarecer. O risco existe, mas pode ser reduzido com acompanhamento regular, controle glicêmico estável e escolhas terapêuticas adequadas. Para médicos, é um convite a olhar além do HbA1c.
Referência: Skjelbred, T. et al. Diabetes and sudden cardiac death: a Danish nationwide study. European Heart Journal (2025). DOI: 10.1093/eurheartj/ehaf826.