Rodrigo Siqueira Endocrinologista

Rodrigo Siqueira Endocrinologista Página com informações sobre endocrinologia e metabologia!

A primeira semana do ano costuma vir com alterações de sono, horários irregulares, pico de cortisol matinal e queda abru...
02/01/2026

A primeira semana do ano costuma vir com alterações de sono, horários irregulares, pico de cortisol matinal e queda abrupta da atividade física, fatores que impactam diretamente a glicemia, a pressão e a percepção de fadiga.

Para pacientes, a mensagem central é simples: não é falta de disciplina quando o corpo demora a “entrar no eixo”. O organismo precisa de alguns dias para reajustar ritmo circadiano, sensibilidade à insulina e resposta ao estresse após o fim de ano.

Para médicos, o convite é olhar além da adesão: queixas inespecíficas em janeiro muitas vezes têm base fisiológica previsível. Ajustes temporários, orientação de rotina e leitura contextualizada dos dados evitam intervenções precipitadas.

Antes de se cobrar resultados, organize horários, sono e movimento. Janeiro é mês de recalibração metabólica.

Que o novo ano chegue com mais gentileza com o seu tempo, mais respeito com o seu corpo e menos culpa por aquilo que fog...
31/12/2025

Que o novo ano chegue com mais gentileza com o seu tempo, mais respeito com o seu corpo e menos culpa por aquilo que foge do controle. Viver e especialmente viver com uma condição crônica nunca foi sobre perfeição, mas sobre ajuste contínuo, presença e cuidado diário.

Que em 2026 a saúde seja entendida além dos exames: como sono respeitado, escolhas possíveis, vínculos fortalecidos e acolhimento real. Que médicos sigam olhando pessoas antes de números, e que pacientes se sintam cada vez mais protagonistas do próprio cuidado.

Seguimos juntos, aprendendo, ajustando rotas e construindo uma relação mais honesta com o corpo e com a vida. Um novo ano não apaga desafios, mas abre espaço para fazer diferente — com mais ciência, mais empatia e mais humanidade.

Na última semana do ano, muitos pacientes relatam glicemias mais erráticas mesmo mantendo alimentação semelhante. O prin...
30/12/2025

Na última semana do ano, muitos pacientes relatam glicemias mais erráticas mesmo mantendo alimentação semelhante. O principal fator, na maioria das vezes, não é o “exagero”, e sim a quebra do ritmo circadiano. Dormir e acordar em horários irregulares desorganiza a secreção hormonal que regula glicose, insulina e sensibilidade periférica.

A fragmentação do sono aumenta cortisol e catecolaminas, favorecendo resistência insulínica matinal e elevação glicêmica ao longo do dia. Mesmo pequenas perdas de sono profundo já impactam a homeostase da glicose, especialmente em pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 insulinodependentes.

Outro ponto relevante é a redução involuntária da atividade física. Feriados, deslocamentos e mudanças de rotina diminuem o estímulo muscular contínuo, reduzindo captação periférica de glicose e aumentando a variabilidade glicêmica, muitas vezes sem alteração significativa na ingestão calórica.

Do ponto de vista clínico, o raciocínio é simples: menos regularidade biológica gera mais variabilidade metabólica. Ajustes finos de insulina, atenção ao sono e manutenção mínima de movimento costumam ser mais eficazes nessa semana do que restrições alimentares rígidas ou correções excessivas.

O ano não foi leve. Houve dias em que o corpo pediu pausa, a mente ficou saturada e a rotina exigiu decisões difíceis an...
26/12/2025

O ano não foi leve. Houve dias em que o corpo pediu pausa, a mente ficou saturada e a rotina exigiu decisões difíceis antes mesmo do café da manhã. Ajustes, escolhas, renúncias pequenas, quase invisíveis para quem olha de fora, fizeram parte do caminho. Ainda assim, você seguiu. E seguir, nesses contextos, já é um ato profundo de cuidado.

Grande parte do autocuidado acontece em silêncio. Ninguém vê o cansaço acumulado, o esforço para manter constância, as negociações internas para não desistir. Não há aplausos para quem dorme cedo quando queria sair, para quem se organiza quando tudo parece confuso, para quem respeita o próprio limite. Mas é exatamente aí que a saúde se constrói.

Resiliência não é sobre ser forte o tempo todo. É sobre reconhecer fragilidades sem se abandonar. É entender que desacelerar também é estratégia, que pedir ajuda é maturidade, e que autocobrança excessiva adoece tanto quanto a negligência. Cuidar de si é um exercício contínuo de equilíbrio, não de perfeição.

Se este ano deixou marcas, que ele também deixe aprendizado. Você não precisa provar nada para ninguém. Estar aqui, inteiro o suficiente para continuar, já diz muito sobre quem você é. Às vezes, o maior avanço é invisível, mas é ele que sustenta tudo o que vem depois.

O Natal, para mim, sempre foi sobre presença. Estar junto, cuidar, olhar nos olhos e agradecer pelo que se constrói todo...
24/12/2025

O Natal, para mim, sempre foi sobre presença. Estar junto, cuidar, olhar nos olhos e agradecer pelo que se constrói todos os dias, mesmo nos dias difíceis.

Como médico e como pessoa, aprendi que saúde não é só ausência de doença, é vínculo, apoio e quem segura a nossa mão quando o controle não é perfeito.

Que este Natal seja de acolhimento, consciência e gentileza consigo mesmo e com quem você ama. Que 2026 venha com mais cuidado, mais escuta e mais humanidade.

Feliz Natal. Que o essencial nunca falte: amor, saúde possível e gente de verdade por perto. 🎄

Nas festas de fim de ano, o álcool é um dos principais fatores associados à hipoglicemia tardia, especialmente durante o...
23/12/2025

Nas festas de fim de ano, o álcool é um dos principais fatores associados à hipoglicemia tardia, especialmente durante o sono. Do ponto de vista fisiológico, o etanol inibe a gliconeogênese hepática, desviando o metabolismo do fígado para a metabolização do álcool e reduzindo a liberação de glicose horas depois da ingestão, muitas vezes quando o paciente já está dormindo.

O risco não é imediato. Pelo contrário: a hipoglicemia costuma surgir 6 a 12 horas após o consumo, o que explica por que muitos pacientes dormem aparentemente estáveis e acordam com glicemias baixas ou sequer despertam. Associar álcool, menor ingestão alimentar e doses habituais de insulina cria o cenário perfeito para hipos noturnas silenciosas.

Durante o sono, há menor percepção autonômica dos sintomas e resposta contrarregulatória reduzida, o que eleva o risco de eventos prolongados. Em pacientes com histórico de hipoglicemia noturna ou redução da percepção de hipo, o álcool representa um fator de risco clínico real, não apenas comportamental.

A prevenção passa por ajustes conscientes: evitar beber em jejum, reduzir bolus noturno, considerar leve redução de basal, realizar checagem glicêmica antes de dormir e, sempre que possível, utilizar alarmes de sensores. Festas fazem parte da vida, o papel do cuidado é antecipar riscos, não proibir experiências.

Microvariabilidade glicêmica é aquilo que acontece entre os números “bonitos” do relatório. Mesmo com um bom tempo em al...
18/12/2025

Microvariabilidade glicêmica é aquilo que acontece entre os números “bonitos” do relatório. Mesmo com um bom tempo em alvo (TIR – Time in Range, percentual do tempo em que a glicose permanece dentro da faixa recomendada), oscilações frequentes, picos e vales curtos, geram estresse metabólico contínuo. Do ponto de vista fisiológico, essas flutuações ativam vias inflamatórias, aumentam o estresse oxidativo e afetam diretamente o endotélio vascular, algo que o TIR isolado não consegue revelar.

Do lado técnico, a variabilidade glicêmica está associada a maior risco cardiovascular de forma independente da média glicêmica. Curvas com grande amplitude, mesmo mantendo a glicose “no alvo”, refletem instabilidade na ação da insulina, resposta inadequada aos alimentos ou erros de timing do bolus. Por isso, métricas como desvio-padrão e coeficiente de variação (idealmente

Sono e glicemia têm uma relação muito mais íntima do que a maioria dos pacientes imagina e que os médicos já conhecem be...
17/12/2025

Sono e glicemia têm uma relação muito mais íntima do que a maioria dos pacientes imagina e que os médicos já conhecem bem. A privação ou má qualidade do sono altera a regulação hormonal, reduz a secreção de leptina (hormônio da saciedade) e eleva o cortisol nas primeiras horas da manhã. Esse ambiente hormonal favorece resistência insulínica aguda, maior produção hepática de glicose e, na prática clínica, aquele padrão clássico de glicemias matinais mais altas mesmo sem erro alimentar evidente.

Do ponto de vista fisiopatológico, poucas horas de sono já são suficientes para reduzir a sensibilidade à insulina em tecidos periféricos, além de desorganizar o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Estudos mostram que o impacto metabólico de uma noite mal dormida pode se estender por todo o dia seguinte, interferindo na resposta ao bolus, na variabilidade glicêmica e até na percepção de fome, criando um ciclo difícil de quebrar apenas com ajustes de dose.

Para o paciente, alguns sinais são comuns: acordar cansado, fome exagerada ao despertar, maior dificuldade de controle glicêmico pela manhã e necessidade recorrente de correções. Não é “falta de disciplina” nem erro isolado, muitas vezes é o sono sabotando o controle. Dormir pouco hoje pode significar glicemias mais difíceis amanhã, mesmo comendo e aplicando insulina da mesma forma.

Como orientação prática, tratar o sono como intervenção terapêutica é essencial: horários regulares, ambiente escuro e silencioso, evitar telas antes de dormir e atenção ao consumo noturno de cafeína ou álcool. Controle glicêmico não começa no prato nem na insulina, começa na cama. E ignorar isso é abrir mão de uma das ferramentas mais potentes e subestimadas do tratamento.

Após exercício moderado, a hipoglicemia tardia (geralmente 6–24h depois, muitas vezes à noite) não é acaso. Ela ocorre p...
16/12/2025

Após exercício moderado, a hipoglicemia tardia (geralmente 6–24h depois, muitas vezes à noite) não é acaso. Ela ocorre porque o músculo precisa repor glicogênio, aumenta a captação de glicose via GLUT-4 (é uma proteína essencial que move a glicose do sangue para dentro das células do músculo esquelético e tecido adiposo) e permanece com sensibilidade à insulina elevada por horas. O paciente pode terminar o treino estável, mas entra depois em uma janela fisiológica de maior risco.

Durante a contração muscular, a translocação do GLUT-4 acontece de forma parcialmente independente de insulina; no pós-exercício, porém, o músculo segue “mais eficiente” em responder à insulina circulante. Se houver insulina ativa residual (bolus recente ou basal sem ajuste), a combinação favorece queda progressiva da glicose, especialmente no período de sono, quando a contra-regulação é menor.

No raciocínio clínico, quatro pontos ajudam a prever o risco: tipo de exercício (aeróbio moderado gera mais hipo tardia), quantidade de insulina ativa, uso de carboidratos durante o treino que mascaram a queda inicial e horário do exercício (treinos à noite aumentam o risco noturno). O uso de dispositivos para monitoramento contínuo da glicose é fundamental para identificar a janela típica de cada paciente.

O ajuste deve focar no pós-exercício: reduzir bolus da refeição seguinte, considerar redução temporária de basal (ou ajuste noturno em MDI) e planejar lanche estratégico quando há tendência de queda tardia. Hipoglicemia pós-exercício é previsível e, quando entendida, passa a ser evitável com ajustes simples e individualizados.

Enquanto o mundo desperta devagar, você já fez escolhas que exigem precisão, coragem e uma sensibilidade que poucos conh...
11/12/2025

Enquanto o mundo desperta devagar, você já fez escolhas que exigem precisão, coragem e uma sensibilidade que poucos conhecem. Mediu a glicose, avaliou o ontem, antecipou o hoje. Calculou a insulina, previu o estresse, revisou mentalmente cada refeição que ainda nem aconteceu.

Há uma matemática silenciosa no seu amanhecer, um diálogo constante entre corpo, rotina e futuro. Nada disso aparece na foto, no crachá, na pressa das mensagens. Mas está ali, em cada decisão milimétrica que mantém você seguro, presente, vivo.

E existe algo profundamente humano nesse cuidado cotidiano: o ato de ajustar é também um ato de esperança. Cada correção, cada microescolha, cada previsão do que pode vir é a forma mais íntima de dizer ao seu próprio corpo: “eu estou aqui, eu continuo.”

Como endocrinologista, eu vejo. E como paciente ou cuidador, você sente. E é nessa soma invisível que mora a força que sustenta o dia antes mesmo do sol se firmar no céu. Que isso sirva de reconhecimento e também de afeto, para todos que começam o dia negociando com a glicose enquanto os outros apenas acordam.

Um estudo recente da Universidade da Flórida trouxe uma pista valiosa sobre como o diabetes tipo 1 progride silenciosame...
10/12/2025

Um estudo recente da Universidade da Flórida trouxe uma pista valiosa sobre como o diabetes tipo 1 progride silenciosamente muito antes dos primeiros sintomas. Os pesquisadores observaram que as menores estruturas produtoras de insulina, microaglomerados e células beta isoladas espalhadas pelo pâncreas, são as primeiras a desaparecer na fase inicial do ataque autoimune. Só depois que essas pequenas unidades são destruídas é que o sistema imunológico passa a atacar os grandes aglomerados conhecidos como ilhotas de Langerhans.

Esse detalhe aparentemente técnico muda a forma como entendemos a doença. Crianças pequenas, que naturalmente possuem mais desses microaglomerados, tendem a perder a função de insulina muito mais rápido; já adultos, com ilhotas maiores e mais estáveis, podem manter alguma produção por anos. Ao identificarmos quais estruturas beta são afetadas primeiro, começamos a enxergar caminhos para diagnósticos mais precoces e possíveis estratégias de proteção das ilhotas maiores.

O achado também indica que a progressão do DM1 não é homogênea, algumas ilhotas desaparecem rapidamente, enquanto outras permanecem preservadas por mais tempo. Essa heterogeneidade pode, no futuro, orientar intervenções imunológicas mais direcionadas, principalmente agora que dispomos de terapias capazes de atrasar a fase clínica da doença, desde que aplicadas precocemente.

Compreender essas etapas iniciais nos aproxima da possibilidade de intervir no momento certo, preservando função residual e reduzindo o impacto metabólico no diagnóstico. Para pacientes e famílias, essa evolução do conhecimento reforça a importância da vigilância, da triagem em grupos de risco e da ciência que busca, célula por célula, novas respostas.

Referência:
Wasserfall CH et al. Diabetes. Universidade da Flórida, edição de novembro, 2025 — estudo sobre perda seletiva de microaglomerados de células beta nas fases iniciais do DM1.

Um estudo populacional dinamarquês, publicado no European Heart Journal, mostrou que o risco de morte cardíaca súbita é ...
04/12/2025

Um estudo populacional dinamarquês, publicado no European Heart Journal, mostrou que o risco de morte cardíaca súbita é significativamente maior em pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 e de forma especialmente marcante em adultos jovens. O risco foi 3,7 vezes maior no tipo 1 e 6,5 vezes maior no tipo 2, quando comparados à população geral. A morte súbita também contribuiu de maneira relevante para a perda de expectativa de vida: 3,4 anos no tipo 1 e 2,7 anos no tipo 2.

Os mecanismos são multifatoriais. Além da maior prevalência de doença coronariana, fatores específicos do diabetes, como hipoglicemias graves, variabilidade glicêmica acentuada e neuropatia autonômica cardíaca, ampliam a vulnerabilidade elétrica do coração. Em pessoas mais jovens, isso se torna ainda mais crítico, já que a morte súbita é rara nessa faixa etária na população geral, mas pode ocorrer até sete vezes mais em indivíduos com diabetes.

Outro ponto importante é o contexto temporal: os dados analisam o ano de 2010, antes da adoção ampla de terapias cardioprotetoras como SGLT2 inibidores e agonistas do GLP-1. Ou seja, parte desse risco pode ter sido atenuado ao longo da última década, mas a magnitude dos achados mostra que ainda há muito a ser feito em prevenção.

Na prática clínica, isso reforça a necessidade de estratificação mais detalhada: avaliar sintomas discretos (palpitações, tonturas, fadiga desproporcional), investigar neuropatia autonômica, revisar episódios de hipoglicemia e priorizar o uso de medicamentos com impacto cardiovascular. Também abre espaço para novas estratégias, incluindo monitorização de arritmias e tecnologias que detectem eventos cardíacos precocemente.

Para quem vive com diabetes: esse tema não é para assustar, mas para esclarecer. O risco existe, mas pode ser reduzido com acompanhamento regular, controle glicêmico estável e escolhas terapêuticas adequadas. Para médicos, é um convite a olhar além do HbA1c.

Referência: Skjelbred, T. et al. Diabetes and sudden cardiac death: a Danish nationwide study. European Heart Journal (2025). DOI: 10.1093/eurheartj/ehaf826.

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