04/09/2022
A escuta respeitosa é uma enorme ajuda e tem poder curativo.
Toda pessoa tem a capacidade de encontrar as próprias respostas e soluções para seus problemas.
Ajudar não implica em fazer algo. Na maioria das vezes a única ajuda necessária é uma escuta qualificada, atenta, que no silêncio ouça as emoções, sentimentos e significados do outro, com respeito e dignidade.
É o que ensina o psicólogo humanista Carl Rogers:
“Constato, tanto em entrevistas terapêuticas como nas experiências intensivas de grupo que me foram muito significativas, que ouvir traz consequências. Quando efetivamente ouço uma pessoa e os significados que lhe são importantes naquele momento, ouvindo não suas palavras, mas ela mesma, e quando lhe demonstro que ouvi seus significados pessoais e íntimos, muitas coisas acontecem. Há, em primeiro lugar, um olhar agradecido. Ela se sente aliviada. Quer falar mais sobre seu mundo. Sente-se impelida em direção a um novo sentido de liberdade. Torna-se mais aberta ao processo de mudança.
Tenho notado frequentemente que quanto mais presto uma profunda atenção aos significados de uma pessoa, mais acontece o que relatei. Quando percebem que foram profundamente ouvidas, as pessoas quase sempre ficam com os olhos marejados. Acho que na verdade trata-se de chorar de alegria. É como se estivessem dizendo: “Graças a Deus, alguém me ouviu. Há alguém que sabe o que significa estar na minha própria pele.” Nestes momentos, tenho tido a fantasia de estar diante de um prisioneiro em um calabouço, que dia após dia transmite uma mensagem em código Morse: “Ninguém está me ouvindo? Tem alguém aí?” E um dia, finalmente, escuta algumas batidas leves que soletram: “Sim”. Com esta simples resposta, ele se liberta da solidão. Torna-se novamente um ser humano.
Há muitas, muitas pessoas vivendo em calabouços privados hoje em dia, pessoas que não deixam transparecer essa condição e que têm de ser ouvidas com muita atenção para que sejam captados os fracos sinais emitidos
do calabouço.”