08/06/2025
A dor é uma experiência inevitável na vida humana. Ela nos atravessa nas perdas, nas frustrações, nas despedidas e nas rupturas que marcam nossa trajetória. Carregar dor é parte da condição de existir: é o testemunho de que sentimos, que nos importamos e que, de alguma maneira, estivemos vivos e conectados.
Contudo, há uma diferença fundamental entre sentir dor e mergulhar no desespero. A dor, quando encontra acolhimento, pode ser suportada, atravessada e até transformada. Mas quando a dor é vivida na solidão, sem testemunhas, sem escuta, ela se converte em desespero: um estado de desesperança, de fechamento e de isolamento que intensifica o sofrimento a ponto de torná-lo, muitas vezes, insuportável.
A solidão não se define apenas pela ausência física de outras pessoas, mas pela ausência de vínculos afetivos capazes de oferecer amparo, compreensão e presença. Quando alguém sofre e não encontra quem possa estar ao lado — escutando, legitimando e sustentando esse sofrimento —, a dor reverbera no vazio e se amplifica.
Nesse contexto, o papel do psicoterapeuta se torna profundamente significativo. A psicoterapia é, antes de tudo, um espaço de presença. Não se trata, necessariamente, de oferecer respostas ou soluções imediatas para a dor do outro, mas de sustentar a travessia, de acompanhar o percurso de quem sofre sem tentar apressar ou interromper o processo.
Ele não impede a dor, mas impede que ela seja solitária. Ele não retira o sofrimento, mas evita que o sofrimento se torne desespero. A função clínica, nesse sentido, é radicalmente humana: oferecer um espaço seguro onde o cliente pode, enfim, experimentar o alívio de não estar sozinho com sua dor.
Na clínica, portanto, o psicoterapeuta se torna uma espécie de ponte: entre o sofrimento e a esperança, entre o isolamento e a possibilidade de vínculo, entre a dor e a elaboração.
Esse é, afinal, o grande compromisso ético e humano da psicoterapia: garantir que nenhuma dor precise ser carregada sozinha e que, mesmo nas travessias mais difíceis, a presença do outro possa devolver àquele que sofre a possibilidade de seguir caminhando.