30/07/2025
Nos acostumamos a viver como se a vida fosse uma grande corrida, como se tudo precisasse ser conquistado, acumulado, vencido, como se cada dia fosse mais uma chance de pegar algo, segurar, guardar, exibir, provar, corremos atrás de títulos, de metas, de reconhecimento, de sucesso, de certezas, de garantias, às vezes até de pessoas, como se elas também pudessem ser posse, como se o valor da vida morasse nas mãos cheias e não na alma habitada por nós.
Mas no fim, partimos do mesmo jeito que chegamos, com as mãos vazias, ninguém leva nada, o tempo leva tudo, e o que sobra não é o que conseguimos guardar, é o que conseguimos viver de verdade, o que nos tocou, o que nos atravessou, o que se fez presença íntima e não apenas aparência social.
A alma não se alimenta de bens, não se sustenta com conquistas que cabem em vitrines ou extratos bancários, a alma se nutre daquilo que não pode ser medido, do que não cabe em listas, da gentileza gratuita, da conversa que cura, do amor que não faz exigências, da fé que não precisa de provas, da alegria que não depende de aplausos.
Há gente com as mãos cheias e o coração exausto, que tem de tudo, mas perdeu a si mesma no caminho, porque confundiu valor com preço, presença com performance, conquistas com sentido de vida, e há quem tenha pouco e, ainda assim, vive transbordando, porque entendeu que a alma só se enche quando a vida tem profundidade.
Ao invés de se perguntar sobre o que você quer conquistar, é mais prudente questionar-se sobre o que você não quer perder de si enquanto conquista.
Viver não é acumular, é habitar, é estar inteiro no tempo que se tem, é saber que o essencial nunca foi coisa, nunca foi meta, nunca foi poder, o essencial sempre foram os vínculos, signif**ados, verdades.
Você pode até buscar muito, sonhar alto, desejar grande, tudo bem, é legítimo, só não esqueça de olhar para dentro enquanto olha para frente, porque no fim, o que f**a não é o que se tem, é o que se é, é o que se deu, é o que se sentiu, e é isso que enche a alma do que importa.