08/01/2026
ROMPIMENTO NO GUANDU: RIO E BAIXADA FICAM SEM ÁGUA, E A POPULAÇÃO VIVE ENTRE O MEDO E O DESCASO
Na Baixada Fluminense, ninguém mais se surpreende quando o Sistema Guandu para. A surpresa seria funcionar sem sustos. Mais um rompimento de tubulação interrompe a operação do sistema e já provoca falta d’água e queda de pressão na Baixada Fluminense e em bairros da cidade do Rio de Janeiro. O aviso é oficial: vai faltar água — economizem.
Mas o drama por aqui vai muito além das torneiras secas. É o medo cotidiano. Medo de faltar água hoje, amanhã e por dias. Medo de ouvir um barulho estranho de madrugada. Medo real de acordar com a casa alagada, porque quando a adutora estoura, a água não avisa — invade.
Quem mora perto das grandes adutoras vive em estado permanente de alerta. Não é exagero. Já houve alagamentos que entraram em casas, destruíram móveis, geladeiras, camas, documentos e deixaram famílias no prejuízo e em pânico. Não foi chuva. Foi tubulação rompida.
Resumo que se repete (e cansa)
Nos últimos anos, episódios semelhantes se acumulam:
2022, 2023, 2024 e 2025 tiveram registros de rompimentos, vazamentos de grande porte, ruas transformadas em rios, casas invadidas e bairros inteiros sem água. Em todos, o roteiro foi o mesmo: água desperdiçada aos milhões, prejuízo f**ando com o morador, promessas de reparo e a recomendação padrão para a população “economizar”.
O resultado desse histórico é um pânico silencioso. Há moradores que querem se mudar, vender a casa, sair do bairro. Mas quem compra imóvel onde o risco mora junto? O valor cai, a tranquilidade some e o medo vira rotina. A conta da água, essa nunca falha.
A CEDAE carrega um currículo conhecido: adutoras antigas, manutenção paliativa, rompimentos recorrentes, desperdício de água tratada e nenhuma solução definitiva. Quando tudo dá errado, a orientação se repete — como se o problema fosse o consumo do povo e não a fragilidade crônica da gestão.
Agora, com o Guandu parado, o impacto atinge toda a Baixada Fluminense e parte do Rio de Janeiro. A normalização será lenta e gradativa, e as áreas mais altas sentirão primeiro. Enquanto isso, a população se vira como pode — com medo, com baldes, com insegurança.
Na coluna social da Baixada, o recado é direto e amargo:
vai faltar água no Rio e na Baixada. Economizem.
Porque aqui, a água não corre — ela assusta, destrói e deixa trauma.
Por: Arinos Monge