15/03/2024
O tema do espaço é muito pouco desenvolvido nas análises psíquicas, de sonhos e de produções criativas. Porém, começa seu livro Imagens do inconsciente com o estudo do espaço na arte. É muito importante esse estudo porque o contexto não pode ficar separado do processo interno de entendimento de si, e do mundo. Segue sobre , e reflexões sobre a necessidade de saber se distanciar, abstrair para entender o ́lico.
Via Elizaberh Christina Cotta Mello
https://www.facebook.com/share/p/ZgkgTdPdWvoXZJXG/?mibextid=oFDknk
Via o autor da foto
Foi quando eu morava em Madri, que li uma crônica do Antropólogo e filósofo Roberto Damata, sobre a necessidade de um certo distanciamento para se poder analisar um local, uma sociedade. Claro que ele destacava também o necessário mergulho nesta cultura ou local, como condições fundamentais para esta análise.
Estou contando isso, porque em determinado momento do texto ele faz uma metáfora, onde ele destaca o distanciamento de Niterói em relação ao Rio, como fato muito importante em sua vida. Ele nascido e morador de Niterói, usava deste distanciamento para analisar e pensar o Rio. Pronto. Fique com isso na cabeça. Anos mais tarde estudando o trabalho da Missão Francesa, reparei que era algo recorrente entre estes pintores, fazer seus quadros desde Niterói. Olha aí, o distanciamento novamente. Uma visita ao Museu de Belas Artes, comprova facilmente o que digo. Ou também na obra do pintor Antonio Parreiras, outro Niteroiense, que foi o mais importante pintor brasileiro no período do final do império e começo da república.
Pensando agora, acho que foi vivendo fora, que de alguma maneira vivenciei este distanciamento. E que isso foi fundamental na minha formação. Naquela época devorava tudo que se referia ao Brasil. Livros, revistas, filmes, música e claro fotografia. Foi um período muito rico em minha vida, onde o contraste com a cultuara espanhola (na qual eu mergulhei também), forjou meu pensamento. Cito aqui o livro As Veias abertas de América Latina de Eduardo Galeano. Esse livro foi fundamental para eu entender da onde eu vim, o que somos no mundo e o devemos fazer para nos livrarmos deste destino fatalista que nos foi imposto.
Mas agora, falando desta foto. E claro viajando na maionese.
Prefiro me ver, como um pequeno Tupinanbá, escondido nas pedras da praia deste paraíso terrenal, olhando esse veleiro, mas vendo neste delírio uma nau portuguesa, talvez tendo como capitão o próprio Américo Vespúcio.
O pequeno índio não tinha como saber o que aquilo significava. Mas nós, temos a obrigação!
https://www.facebook.com/share/fA33JTwc1ChNFMrM/?mibextid=oFDknk Luiz Bhering