Psicóloga Raquel Pilotto

Psicóloga Raquel Pilotto Raquel Pilotto, psicóloga clínica e especialista em pacientes com diabetes
CPP 05/56133

01/03/2026

Nesse trecho da série O Monstro em Mim, a pergunta é direta e um tanto desconcertante: qual é o sentido de um organismo vivo desejar o próprio fim?

Foi exatamente essa pergunta que fez muitos rejeitarem Freud quando ele apresentou o conceito de pulsão de mo*rte. Como poderia haver, no interior da vida, uma tendência em direção ao seu contrário?

Mas Freud não falava apenas de mo*rte literal. Ele tentava nomear algo que observava repetidamente na clínica: a insistência humana em voltar ao que causa sofrimento, a repetição de relações destrutivas, a atração pelo perigo, a dificuldade de abandonar aquilo que já sabemos que nos faz mal.

A pulsão de mor*te aparece menos como desejo de aniquilação e mais como compulsão à repetição. Como se algo em nós preferisse o conhecido, o familiar, mesmo que doloroso, ao desconhecido que poderia ser diferente.

Na série, isso se encena de forma quase pedagógica. Há uma atração pelo limite, uma sedução do risco, uma reconstrução insistente da mesma dinâmica. Não é apenas escolha racional, mas com uma “compulsão à repetição”.

E isso não pertence apenas à ficção.

Ela aparece quando:
– insistimos em vínculos que nos desorganizam;
– sabotamos algo que estava começando a dar certo;
– criamos conflitos que poderíamos evitar;
– confundimos intensidade com amor.

Muitas vezes dizemos: “Eu sabia que isso ia acontecer.”
Mas ainda assim fomos.

A psicanálise não elimina essa força, porque ela faz parte da condição humana. Mas pode ajudar a torná-la consciente. Pode transformar repetição em elaboração. Pode deslocar o que parecia destino para o campo da escolha.

Talvez o ponto não seja negar que existe algo em nós que se aproxima do abismo. Talvez seja reconhecer isso antes que a repetição nos arraste, mais uma vez, para o mesmo lugar. E, a partir daí, apostar mais na vida.

14/11/2025

Nesse vídeo, o psiquiatra Thomas Szasz questiona a ideia de que TDAH e outros chamados “transtornos mentais” em crianças sejam, de fato, doenças.

Ele lembra que, ao longo da história, a psiquiatria já criou diagnósticos bizarros para controlar comportamentos que fugiam da norma, como a “drapetomania” (suposta doença dos escravos que fugiam) e a “histeria”, que era vista, antes de Freud, em mulheres que “se rebelavam”.

Szasz aponta que nenhum comportamento, por mais incômodo que seja, é uma doença em si. Se fosse, haveria exames objetivos que a comprovassem, como acontece com qualquer problema no coração, fígado ou cérebro. Quando não há exame, mas há rótulo e remédio, o que está em jogo é mais controle social do que cuidado em saúde.

A provocação dele vai exatamente na direção do que tenho trazido por aqui: precisamos pensar com muita seriedade antes de chamar crianças de “doentes” e medicá-las porque seu jeito de ser incomoda a escola, a família ou a cultura. Entre proteger a tranquilidade dos adultos e proteger a liberdade (e a história) das crianças, eu sei de que lado quero estar.

06/11/2025

No vídeo, psiquiatras da própria Associação Psiquiátrica Americana (APA) admitem algo que raramente é dito com tanta clareza:

‼️Não existe nenhum exame médico capaz de comprovar um “transtorno mental”.

Eles afirmam que:
• Nenhuma doença mental foi validada cientif**amente.
• Os diagnósticos do DSM são decididos por votação, não por te**es.
• O famoso “desequilíbrio químico” é um mito publicitário, não um fato biológico.
• E que os medicamentos psiquiátricos não curam, apenas alteram o funcionamento do cérebro, muitas vezes de modo tóxico.

A pergunta que f**a é:

“Cui bono?”, ou seja, quem se beneficia?

Segundo um deles, quem cria o diagnóstico.

Vivemos uma era em que o diagnóstico vem antes da escuta. Mas será que estamos enxergando a criança ou apenas etiquetand...
05/11/2025

Vivemos uma era em que o diagnóstico vem antes da escuta. Mas será que estamos enxergando a criança ou apenas etiquetando comportamentos?

O excesso de rótulos silencia a história única de cada sujeito.
E a pressa em nomear pode ser um modo de não se implicar na relação.

Toda criança precisa ser escutada e compreendida, não apenas classif**ada.

Autismo ou autistização? É preciso refletir.
Que tal passarmos a escutar mais antes de concluir?

E você, o que pensa sobre este assunto?

Freud nos advertiu: a psicologia das massas é a suspensão do pensamento crítico em troca do conforto de repetir o que to...
28/09/2025

Freud nos advertiu: a psicologia das massas é a suspensão do pensamento crítico em troca do conforto de repetir o que todos dizem. Foi assim que ideologias assa*ssinas prosperaram, e foi assim que o antissemitismo se tornou “normal” no coração da civilização europeia.

Pois é exatamente esse movimento que hoje se repete em muitas escolas de psicanálise. Instituições que nasceram para sustentar a diferença e abrir espaço ao inconsciente acabam se convertendo em formações de massa: repetem discursos prontos, slogans sem reflexão, narrativas importadas e jamais interrogadas.

Desde a pandemia, esse fenômeno se intensificou. Em vez de fomentar o debate e a discordância — motores de qualquer pensamento vivo —, várias escolas optaram pelo conforto do coro dominante. O resultado é uma psicanálise que se empobrece, incapaz de questionar se os discursos que circulam têm, de fato, fundamentos clínicos ou teóricos.

Eu esperaria assistir a esse tipo de coisa em espaços onde o discurso hegemônico é a regra, como Freud apontava em sua crítica à Igreja e ao Exército. Mas o mais inquietante é perceber que hoje há, muitas vezes, mais abertura para críticas, discordâncias e debates no meio religioso do que no psicanalítico.

Quando as instituições de psicanálise se rendem à homogeneização, elas traem sua própria razão de existir. Uma escola que não sustenta o dissenso nem interroga os discursos que repete não é escola de pensamento, e sim, uma massa amorfa e acrítica.

E a massa é o lugar onde o pensamento morre, onde os indivíduos se tornam “automatons”: engrenagens de uma repetição sem resto, alienados da realidade.

Se Freud dizia que a palavra é o que cura, o que estão esperando as escolas de psicanálise que ainda se dizem freudianas para se levantar contra esse discurso hegemônico e totalitário?

Há exatos 86 anos, Freud morria exilado em Londres, forçado a deixar Viena pela perseguição naz*ista.O pai da psicanális...
23/09/2025

Há exatos 86 anos, Freud morria exilado em Londres, forçado a deixar Viena pela perseguição naz*ista.

O pai da psicanálise, que revelou ao mundo a existência do inconsciente, foi também vítima daquilo que talvez mais temia: a irrupção da barbárie quando a civilização fecha os olhos para o que nela mesma habita.

Hoje, diante do retorno pavoroso do antissemitismo e da tendência de reduzir o sujeito a pura biologia: genes, neurotransmissores, diagnósticos rápidos e comprimidos milagrosos; a obra de Freud permanece como um chamado urgente.

Porque Freud nos lembra que:
• O sintoma não é apenas uma falha química, mas uma mensagem enigmática do sujeito.
• A civilização só se sustenta se enfrentar seus próprios impulsos destrutivos, em vez de negá-los.
• Não há humanidade sem reconhecer a verdade desconfortável de que somos feitos de desejos, conflitos, contradições e incompletudes.

Esquecê-lo seria uma dupla violência: contra a memória de um pensador judeu que teve de fugir do ódio antissemita, e contra o próprio sujeito, reduzido hoje a mero corpo administrado pela farmacologia e pelos algoritmos.

Freud morreu, mas suas palavras continuam vivas, lembrando-nos de que sem escuta, sem palavras e sem a coragem de olhar para o inconsciente, a civilização se torna completamente frágil, pronta a repetir seus piores fantasmas.

E vocês, o que pensam sobre isso?
13/09/2025

E vocês, o que pensam sobre isso?

Vivemos tempos em que discordar virou crime de pensamento. Quem não repete o discurso dominante é rotulado: “fascista”, ...
13/09/2025

Vivemos tempos em que discordar virou crime de pensamento. Quem não repete o discurso dominante é rotulado: “fascista”, “perigoso”, “ameaça à democracia”. Não importa o que diga, pois uma caricatura já foi criada para que ele caiba nela.

Essa estratégia tem um nome: desumanização. E ela cumpre uma função psíquica: oferecer um alvo ao ódio que o sujeito não reconhece como seu. Em vez de lidar com sua própria agressividade, joga tudo no outro e se sente virtuoso por atacá-lo.

Isso não é apenas uma estratégia política, é também um mecanismo de defesa psíquico.

A projeção é um dos mecanismos mais primitivos do psiquismo: ao recusar enxergar o mal em si mesmo — a intolerância, o desejo de calar, a violência, a agressividade, o ódio — o sujeito o coloca no outro e passa a odiá-lo como se fosse um monstro.

O mais irônico? Tudo isso vem travestido de “bondade”. Dizem estar “combatendo o ódio”, mas o tom, os olhos e a fúria revelam: o ódio é deles. Só que, como não conseguem admiti-lo, precisam dizer que estão apenas reagindo ao “ódio do outro”.

Essa inversão é perigosa. Quando o outro deixa de ser humano, toda violência contra ele parece legítima. O que começa como militância pode terminar como fanatismo — e muitos aplaudem, sem perceber o que estão fazendo.

Não se trata de defender ninguém. Nem de justif**ar discursos. Mas talvez valha a pena dar um passo atrás.

Quando todos gritam “ódio!”, talvez seja hora de calar e escutar.

Não o outro.
Mas a si mesmo.

Endereço

Avenida Das Américas, 4801
Rio De Janeiro, RJ

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