08/03/2020
Onde aprendi a ser homem?
Por Hugo Fernandes
Um dos lugares foi a escola.
Eu me aproximava de um ou outro colega para me integrar e, de vez em quando, dos grupos maiores. Havia um risco e uma preparação especial para interagir nos grandes grupos. O desafio maior era não virar piada. E a postura mais comum era f**ar calado ou sacanear alguém. Assim, evitava que a atenção se voltasse para mim e o risco era menor.
De todos os “xingamentos", o mais temido era: B***A! Mesmo quando ninguém sabia o que isso signif**ava.
Eu ouvi e falei pela primeira vez essa palavra quando tinha só 6 anos. Se eu não sabia o que era, também não sabia o que não era.
Com o tempo fui aprendendo... Depois de alguns deslizes de espontaneidade e experimentação, a gente f**a bom na arte de se proteger. Como eu disse, bastava f**ar em silêncio, rir ou zombar de alguém.
Por muito tempo escolhi me calar.
Aos 16 anos, ousei experimentar a identidade de gozador da turma, mas não fui muito bem sucedido nisso. Percebi que estava brigando e ofendendo as pessoas com quem eu mais queria estar.
Me vi sozinho.
Voltei a me proteger e ali eu “virei” homem.
Eu não sei quantos elementos dessa história coincidem com a sua. Sei que você criou suas próprias estratégias para se proteger e que talvez sinta que essa identidade não te sirva mais.
Mas sozinho você não vai conseguir olhar para ela!
Apesar de ainda recorrer ao silêncio ou à explosão para lidar com emoções mais fortes, percebi que não sou tão calado quanto pensava que era e que posso me comunicar com amorosidade.
Eu precisei ver isso nos outros para experimentar e reconhecer em mim!
O que será que você pode experimentar na Roda dos Homens?
Nem imagino!
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