29/01/2026
NÃO FOI “SÓ UM CACHORRO”. FOI UMA VIDA.
O caso do cachorro Orelha, espancado até a morte por adolescentes, me deixa com um nó na garganta e uma pergunta que não sai da cabeça: em que momento a crueldade virou diversão?
Como médica veterinária, eu vejo a dor de perto.
Eu vejo animais chegando machucados, tremendo, assustados… e o pior: muitos chegam com feridas que não foram causadas por acidentes, mas por mãos humanas.
E eu preciso dizer com todas as letras: isso não é brincadeira. Isso é crime. Isso é violência. Isso é covardia.
Orelha não tinha como se defender.
Ele não teve escolha.
Ele não entendeu o porquê.
Ele apenas sofreu.
E é impossível não pensar: se alguém é capaz de espancar um animal indefeso até a morte, do que mais essa pessoa é capaz?
A violência não aparece do nada.
Ela cresce quando a gente normaliza a maldade, quando alguém ri, quando alguém filma, quando alguém assiste e não faz nada.
E cresce também quando tentam justificar com frases como:
“ah, é só um bicho…”
“ah, são jovens…”
“ah, foi só uma vez…”
Não. Não é só. Nunca foi só.
Hoje eu falo por mim e por tantos colegas veterinários que também sentem essa dor: nós escolhemos essa profissão para cuidar da vida. E a vida de um animal vale. Importa. Tem sentimento. Tem medo. Tem dor.
Orelha merecia colo. Não tortura.
Merecia amor. Não crueldade.
Merecia viver.
Que esse caso não seja esquecido amanhã, quando outra notícia aparecer.
Que haja justiça.
Que haja responsabilização.
E principalmente: que haja mudança.
Porque um país que não protege seus animais também falha em proteger sua própria humanidade.
JUSTIÇA PELO ORELHA. 🐾