Psicóloga Marcela Rocha

Psicóloga Marcela Rocha Sou Psicóloga e Psicanalista, comprometida com a saúde mental da população preta.

08/04/2026

Ao analisar certos fenômenos, nunca podemos olhar somente sua face presente. Precisamos retomar as bases históricas.

31/03/2026

Tem muita gente estudando raça hoje.

Lendo.
Citando.
Produzindo.

E ainda assim…

pensando de forma superficial.

Porque o problema nem sempre está no acesso aos textos.

Mas nos modos pelos quais aprendemos a ler,
interpretar
e mobilizar esses conceitos.

Existe uma forma de estudar raça
que parece crítica…

mas só repete o que já foi esvaziado.

E o mais incômodo:

quem está dentro disso,
geralmente não percebe.

Esse não é um debate confortável.

Mas talvez seja necessário.

Se isso te atravessou,
o VI ciclo do Enegrecer-se parte exatamente desse ponto.

Link na bio.

É possível romper com o ideal do eu branco?A resposta rápida seria: não completamente.Mas essa resposta, sozinha, é insu...
30/03/2026

É possível romper com o ideal do eu branco?

A resposta rápida seria: não completamente.
Mas essa resposta, sozinha, é insuficiente (e até perigosa).

Porque ela pode nos levar a uma espécie de fatalismo psíquico, como se estivéssemos condenados a repetir indefinidamente uma estrutura que nos violenta.

O ideal do eu não é uma escolha.
Ele é constituído na relação com o Outro, com a cultura, com a história.

E, no caso da população negra, essa história instituiu a brancura como medida de valor, beleza, inteligência e humanidade.

27/03/2026

O mundo levou mais de três séculos para reconhecer oficialmente aquilo que sempre foi evidente:
o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas como o maior crime contra a humanidade.

A Organização das Nações Unidas finalmente nomeia o que nunca deixou de produzir efeitos.

Lembremos que EU, Israel e Argentina, votaram contra.

24/03/2026

Não adianta pesquisar sobre raça com um pensamento patriarcal.

O VI ciclo de estudos do Enegrecer-se se organiza em torno de uma pergunta que, para mim, hoje é incontornável:quais dil...
23/03/2026

O VI ciclo de estudos do Enegrecer-se se organiza em torno de uma pergunta que, para mim, hoje é incontornável:

quais dilemas teóricos e políticos atravessam a produção de conhecimento sobre raça?

Diante da centralidade que a categoria raça adquiriu nas últimas décadas, tanto nos debates acadêmicos quanto nos políticos, torna-se necessário examinar com mais rigor os modos pelos quais essa categoria tem sido pensada, mobilizada e investigada, especialmente no contexto brasileiro.

Não se trata apenas de tomar a raça como tema. Trata-se de interrogar as bases que sustentam sua utilização como categoria de análise, seus efeitos na produção de conhecimento e os impasses que emergem quando ela se torna objeto de investigação.

Ao longo de seis encontros, vamos percorrer esse problema a partir da leitura de Stuart Hall, Bárbara Carine e bell hooks, articulando a raça como problema conceitual, como categoria social e como ponto de tensão para a produção de pensamento crítico que possa ir além da raça

Não é um curso. É um grupo de estudos.

Um espaço de leitura, elaboração e debate.

As inscrições estão abertas.
Link na bio.

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17/03/2026

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Para quem chegou por aqui recentemente, talvez seja importante eu me apresentar.Meu nome é Marcela Rocha. Sou psicanalis...
12/03/2026

Para quem chegou por aqui recentemente, talvez seja importante eu me apresentar.

Meu nome é Marcela Rocha. Sou psicanalista, pesquisadora e doutoranda em Teoria Psicanalítica pela UFRJ.

Minha pesquisa investiga as incidências do discurso racial na vida psíquica de pessoas negras. Atualmente, dedico-me ao estudo do supereu e aos modos como certas formas de sofrimento se organizam na contemporaneidade.

Na clínica, escuto sujeitos atravessados pelos impasses do nosso tempo, lugares onde história, raça e vida psíquica se encontram.

Também coordeno o Enegrecer-se, um espaço dedicado ao estudo de autores negros e ao enegrecimento do campo teórico, além de realizar supervisão clínica com psicanalistas.

Este espaço nasce do encontro entre clínica, pesquisa e inquietação com o mundo em que vivemos.

Se você chegou por aqui recentemente, qual tema te atravessa mais: raça, mal-estar contemporâneo ou conceitos psicanalíticos?

11/03/2026

Que coisa você jurou que nunca repetiria dos seus pais… e um dia percebeu em si?

Nem tudo o que se transmite entre gerações é consciente.

Na clínica psicanalítica, aprendemos que não herdamos apenas valores, ensinamentos ou histórias contadas. Herdamos também os silêncios, os afetos não nomeados e os conflitos que nunca puderam ser elaborados.

O que estamos transmitindo para a próxima geração?Gostamos de acreditar que estamos fazendo diferente. Dizemos que não v...
10/03/2026

O que estamos transmitindo para a próxima geração?

Gostamos de acreditar que estamos fazendo diferente.

Dizemos que não vamos repetir os silêncios que nos feriram
nem as violências que marcaram a geração anterior.

Mas a transmissão entre gerações não acontece apenas dentro das famílias.
Ela também atravessa as estruturas sociais em que vivemos.

Com frequência me pergunto: o que, daquilo que recebi dos que vieram antes de mim, não quero transmitir ao meu filho? E então a psicanálise me lembra algo incômodo: nem tudo o que transmitimos é consciente.

Transmitimos, muitas vezes sem perceber, ideias que herdamos como se fossem naturais:

a fantasia do amor romântico.
a crença de que mulheres amadurecem mais rápido.
a lógica de que homens precisam ser provedores.
a ideia de que homens são racionais e mulheres emocionais.
a reprodução do racismo cotidiano.
a naturalização do machismo, do sexismo e das hierarquias que organizam nossa sociedade.

Essas ideias circulam nas famílias, nas escolas, na mídia e nas instituições.
Aos poucos, vão se inscrevendo na forma como amamos, educamos, trabalhamos e nos relacionamos com o mundo.

Às vezes acreditamos que estamos rompendo com o passado.
Mas seguimos transmitindo, em novas roupagens, as mesmas estruturas que criticamos.

Talvez o trabalho de uma geração não seja apagar tudo o que recebeu da anterior. Mas conseguir interrogar aquilo que parecia natural.

Porque aquilo que não é questionado continua sendo transmitido. Mesmo quando acreditamos estar fazendo diferente.

Durante muito tempo, a psicanálise sustentou a ideia de que o consultório seria um espaço neutro em relação às hierarqui...
07/03/2026

Durante muito tempo, a psicanálise sustentou a ideia de que o consultório seria um espaço neutro em relação às hierarquias sociais.

Mas a transferência não acontece fora da história.

Thamy Ayouch no livro "Raça no divã", argumenta que as relações raciais que estruturam a sociedade também podem aparecer a relação analítica, por intermédio da transferência simbólica.

Fantasias, identificações e posições de poder podem emergir na transferência, porque o sujeito do inconsciente nunca está completamente separado do mundo social.

Ignorar essas relações não produzem "neutralidade" (Termo que, convenhamos, é bem problemático)

Portanto, ignorar essas relações pode apenas reproduzir dentro da clínica, as mesmas hierarquias que operam fora dela.

05/03/2026

Sustentar as condições para que algo do inconsciente possa aparecer.

E isso tem um custo.

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 08:00 - 21:00
Sábado 08:00 - 12:00

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