29/01/2026
“A autoimagem das mulheres como sendo impostoras está de acordo com a visão social de que as mulheres não são definidas como competentes. Se uma mulher se sai bem, não pode ser por causa de sua habilidade, mas deve ser por algum acaso.” - Clance & Ament Imes
Se você, mulher, já se sentiu uma fraude mesmo conquistando o sucesso, achou que a sorte era a responsável por suas realizações, comparou-se constantemente com outros ou acreditou que alguém sempre fazia melhor que você, sim, você pode ter experimentado a Síndrome do Impostor. Esse termo descreve mulheres bem-sucedidas que se consideram impostoras, apesar de suas conquistas.
A Síndrome do Impostor não é apenas um problema individual, mas também social e estrutural, com forte influência de gênero. Estudos mostram que as mulheres tendem a ter expectativas mais baixas e atribuem seus sucessos a causas temporárias, como sorte ou esforço, enquanto os homens geralmente os atribuem a habilidades inerentes. Isso não é surpreendente, considerando que a sociedade patriarcal exige das mulheres uma perfeição no desempenho e promove a competitividade entre elas.
Essa síndrome persiste devido à socialização diferencial de gênero que recebemos desde a infância. Enquanto as mulheres são valorizadas por sua aparência física, os homens são valorizados por seu intelecto. Desde cedo, as mulheres são exigidas a provar que são inteligentes, além de belas, enquanto os estereótipos continuam enraizados na sociedade.
A crítica constante que as mulheres enfrentam reforça a sensação de serem impostoras, e se livrar dessa ideia é uma tarefa difícil. Apesar das conquistas, prêmios e bolsas de estudo, o sentimento de inadequação persiste como um demônio sussurrando em seus ouvidos. A Síndrome do Impostor não é um distúrbio, mas sim um problema de gênero.
Será possível romper esse ciclo? Serão os sucessos suficientes para mudar essa autopercepção? Estudos sugerem que não, pois anos de críticas e cobranças às mulheres não são facilmente superados. No entanto, é importante reconhecer e desafiar esses padrões de gênero, trabalhando para uma sociedade mais igualitária e valorizando as conquistas das mulheres.
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