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Vida Acessível Reabilitação Inclusão & Acessibilidade Cuidado com a saúde de forma integral, entre corpo,mente e Espírito, respeitando os saberes técnicos e científicos .

15/04/2026

Antes que o mundo entrasse em chamas, Viktor Emil Frankl era um neurologista e psiquiatra de sucesso em Viena. Tinha 37 anos, era recém-casado com Tilly, o amor da sua vida, e acabara de concluir um manuscrito revolucionário que mudaria a psicologia moderna.

À medida que a sombra da Alemanha naz*sta avançava sobre a Áustria, judeus começaram a ser presos e deportados. Viktor, graças à sua reputação internacional, recebeu um privilégio que milhões desejariam: um visto para emigrar para os Estados Unidos. Sua fuga estava garantida. Sua carreira, protegida.

Mas seus pais idosos não conseguiam vistos. Se ele fosse embora, eles ficariam sozinhos, à espera de uma deportação praticamente certa. Ele se viu diante da decisão mais difícil de sua vida.

Certa tarde, ao voltar para casa cheio de dúvidas, encontrou o pai chorando diante de um pedaço de mármore. O pai explicou que havia resgatado aquele fragmento das ruínas da principal sinagoga de Viena, destruída pelos naz*stas. No mármore havia gravada uma única letra hebraica, parte de um dos Dez Mandamentos:
“Honra teu pai e tua mãe para que teus dias se prolonguem sobre a terra”.

Viktor olhou para o mármore, depois para o pai… e decidiu. Deixou seu visto expirar. Abriu mão da liberdade para enfrentar o destino ao lado da família.

Em setembro de 1942, Viktor, sua esposa e seus pais foram presos e enviados a campos de concentração. Mais tarde, ele foi transferido para Auschwitz.

Ao chegar, enfrentou a temida “seleção”. Um oficial da SS, Josef Mengele, apontava para a direita ou para a esquerda. Direita significava trabalho forçado; esquerda, morte imediata nas câmaras de gás. Viktor foi enviado para a direita.

Nos barracões, foi obrigado a se despir. Ele carregava seu manuscrito escondido no forro do casaco. Tentou implorar a um prisioneiro para ajudá-lo a salvá-lo, dizendo que era o trabalho de sua vida. O homem apenas zombou dele. Tiraram seu casaco, suas roupas, seus documentos… sua identidade. Rasparam sua cabeça. Em seu braço, tatuaram o número 119104.

Viktor Frankl deixou de existir. Agora era apenas mais um número.

Ele estava sozinho. Não sabia se sua esposa ainda vivia. Ao redor, o sofrimento era tão extremo que muitos prisioneiros se jogavam nas cercas elétricas para acabar com a dor.

Durante três anos, Viktor enfrentou trabalho escravo brutal, cavando valas em solo congelado, alimentando-se apenas de água suja e um pedaço de pão por dia. Seus sapatos se desfizeram. Seus pés se encheram de feridas.

Como psiquiatra, começou a observar algo intrigante: homens fortes fisicamente morriam primeiro, enquanto alguns mais frágeis sobreviviam por meses.

A diferença não estava no corpo… mas no espírito.

Sobreviviam aqueles que tinham um propósito. Um motivo para continuar. Um “porquê”.

Alguns sonhavam em reencontrar filhos. Outros queriam concluir trabalhos importantes. Quem perdia a esperança, morria.

Viktor precisava de um propósito. Então começou a reescrever seu manuscrito na mente. Todas as noites, revisava capítulos inteiros mentalmente. Quando encontrava pedaços de papel, anotava palavras-chave com carvão.

Seu objetivo passou a ser levar ao mundo uma nova compreensão sobre o sofrimento humano.

Mesmo em meio ao horror, ajudava outros prisioneiros à beira do suicídio, lembrando-os de que a vida ainda esperava algo deles.

Foi ali que chegou à sua maior descoberta: os guardas podiam controlar tudo — comida, dor, vida ou morte —, mas não podiam controlar o que acontecia dentro dele.

Em abril de 1945, o campo foi libertado pelas tropas americanas. Viktor sobreviveu. Pesava apenas 38 quilos e estava doente, mas livre.

Voltou a Viena esperando reencontrar sua esposa.

Mas recebeu a notícia devastadora: sua mãe havia sido morta em Auschwitz. Seu pai morreu de exaustão. Seu irmão foi assassinado. E Tilly… sua amada… morreu de tifo aos 24 anos.

Ele estava completamente sozinho.

Mesmo tendo sobrevivido ao Holocausto, quase sucumbiu à depressão. Sentia que não havia mais sentido.

Então lembrou de seus escritos. Lembrou dos homens que morreram sem esperança.

Trancou-se em um quarto e, durante nove dias seguidos, ditou sua história e suas ideias. O livro recebeu o título de Man's Search for Meaning (no Brasil, “Em Busca de Sentido”).

Nele, escreveu sua ideia mais poderosa:

“Tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher a própria atitude diante de qualquer circunstância.”

O livro foi traduzido para mais de 24 idiomas e se tornou um dos mais influentes do século XX.

Viktor não apenas reconstruiu sua vida — casou-se novamente, teve uma filha — como também ajudou milhares de pessoas ao redor do mundo com sua abordagem terapêutica, a Logoterapia.

Ele faleceu em 1997, aos 92 anos.

Às vezes, a história não é transformada por impérios ou exércitos…
Mas por pessoas que escolhem ouvir a própria consciência e, mesmo na escuridão mais profunda, decidem acender uma luz que nunca se apaga.

19/02/2026

MAS VOCÊ SÓ ESTUDA?
Fabrício Carpinejar
Todo mundo está comemorando a proeza da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, 59 anos, com a sua promissora fórmula de recuperação de lesões medulares, dando esperança de tratamento para quem tem paraplegia ou tetraplegia, em pesquisa realizada na UFRJ. 
É a nossa chance de obter o primeiro Nobel brasileiro e mudar o rumo da regeneração neural.
Da opinião pública, agora transbordam aplausos. Mas enxergamos apenas a luz do palco, não as sombras da plateia, tudo o que ela penou em segredo, em uma condição profissional que não é valorizada. O resultado só ocorreu por uma devoção espartana de quase três décadas a uma causa, sob a defasagem de incentivo. 
Antes de ser Monalisa, Tatiana foi o nosso Leonardo da Vinci. 
Não apoiamos a ciência como deveríamos. Aliás, ela só sobrevive pelo heroísmo teimoso de alguns sonhadores como Tatiana.
As bolsas de pesquisa no Brasil sofreram uma redução de R$ 396,6 milhões em 2026, com quedas que chegam a 7,2% em relação a 2025.
Vigora um grande preconceito contra nossos bolsistas. Quando alguém pergunta o que fazem, sempre surge aquela indagação incômoda: “mas você só estuda?”.
Ignora-se a dedicação exclusiva do pesquisador. Ele não pode manter nenhum vínculo empregatício, justamente porque pesquisa é trabalho.
A mendicância vem ocasionando a evasão de nossas melhores mentes para o exterior. De 2015 a 2022, exaustos pelo congelamento de bolsas, cerca de 6,7 mil cientistas brasileiros deixaram o Brasil. Suas descobertas não serão nossas. 
Físicos e astrônomos encontram-se na base da pirâmide, entre as profissões com os mais baixos salários do país. Isso diz muito sobre o que queremos oferecer de exemplo às novas gerações.
Nem miramos as estrelas, nem privilegiamos a vida nos microscópios. 
Voltemos ao caso da festejada Tatiana. Não contamos com a patente internacional da polilaminina — substância desenvolvida por ela — em função do corte de recursos da UFRJ pelo governo em 2015 e 2016. A ausência de verbas inviabilizou a manutenção do registro mundial.
E, pasmem, a patente nacional ainda existe porque a cientista arcou temporariamente com os custos. Durante um ano, ela pagou do próprio bolso.

05/02/2026
22/01/2026
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04/01/2026

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