18/04/2026
Ser mãe também é viver pequenas despedidas diárias.
Um dia é a última vez que ele dorme no meu colo… e eu nem percebo.
Outro dia é a última vez que pede para eu amarrar o tênis.
Depois, a última vez que segura minha mão para atravessar a rua.
Certas cenas acontecem pela última vez sem aviso.
A maternidade também é isso: aprender a perder aos poucos o bebê que dependia de mim para tudo e ganhar a criança que quer descobrir o mundo sozinha.
Há uma beleza dolorida nisso. Porque cada adeus pequeno traz um novo encontro. Quando deixa de caber no colo, passa a caber nas conversas. Quando já não precisa da minha mão, ainda procura meus olhos para ter coragem.
Criamos raízes para que eles criem asas.
Hoje entendo que maternar é colecionar últimas vezes sem saber quando acontecem. Por isso tento demorar mais nos abraços, ouvir com mais atenção as histórias repetidas, reparar nos detalhes que amanhã talvez já tenham mudado. Porque crescer é uma sucessão de pequenas despedidas — para eles e para nós.
E, ainda assim, em cada despedida existe também uma promessa: a de que o amor acompanha, mesmo quando já não pode conduzir.
E no fundo, crescer é uma sucessão de pequenas despedidas… para eles e para nós. 🤍