01/03/2026
Há um sentido profundo e originário na ideia de que o corpo materno é o primeiro território que habitamos. Antes de qualquer palavra, antes de qualquer consciência de mundo, é no ventre da mãe que a existência encontra abrigo, forma e possibilidade. O corpo foi o veículo do acesso à vida: não apenas matéria biológica, mas espaço simbólico onde a experiência começou a se tecer.
O ventre que me gerou foi também o primeiro universo que conheci: pulsante, protetora e inteiro. Ali, a vida não era conceito, mas presença; não era teoria, mas pulsação compartilhada. O corpo da mãe foi passagem e permanência, fronteira e casa. Foi o lugar onde o invisível se tornou carne, onde o futuro começou a respirar.
Na perspectiva ampliada de corporeidade desenvolvida por David Le Breton, o corpo ultrapassa sua dimensão orgânica: ele é linguagem, cultura, memória, relação. É por meio dele que nos inscrevemos no mundo e nele encontramos sentido. O corpo sempre foi essa linguagem viva, como um gesto que acolhe, toque que acalma, presença que orienta. Ele não apenas me trouxe ao mundo; ensinou-me a habitá-lo.
Carrego em mim a marca dessa corporeidade que é cuidado, força e entrega. Se hoje existo como sujeito no mundo, é porque antes fui corpo dentro do teu corpo, vida sustentada pela tua vida. O ventre que me pariu permanece como a origem silenciosa de tudo o que sou.
Te amo, feliz aniversário 💙