09/04/2026
O Mastim Tibetano, conhecido no Tibete como Do-Khyi (que significa “cão amarrado”), é uma das raças mais antigas do mundo, com origens que remontam a mais de 8.000 anos no planalto do Himalaia e nas montanhas do Tibete, Nepal, Índia e regiões vizinhas da Ásia Central.
Descendente direto de lobos do Himalaia, ele se separou geneticamente dos demais cães há cerca de 58 mil anos, tornando-se uma raça primitiva que permaneceu praticamente isolada por séculos devido ao fechamento das fronteiras do Tibete. Isso preservou suas características originais sem grande influência de outras raças ocidentais.
Historiadores e estudiosos acreditam que ele seja o ancestral básico de muitas raças molossas modernas, como os mastins europeus, cães da montanha e vários gigantes de guarda. Marco Polo e Aristóteles já mencionaram cães semelhantes em seus relatos. No Tibete antigo, esses gigantes eram amarrados à noite nas entradas de mosteiros budistas, tendas de nômades e currais de rebanhos para proteger contra lobos, ursos, leopardos da neve e até tigres. Sua pelagem dupla extremamente densa, com subpelo lanoso e pelagem externa longa, permite sobreviver a temperaturas abaixo de -30°C nas altitudes elevadas do Himalaia, onde o ar rarefeito e o frio extremo exigem resistência física impressionante.
Os tibetanos budistas têm uma crença curiosa: acreditam que o Mastim Tibetano carrega a alma de monges e monjas que não alcançaram o paraíso de Shambhala, explicando sua expressão nobre e presença imponente. A raça é conhecida pela juba farta ao redor do pescoço e ombros, que lembra a de um leão — na China, pelagens douradas, avermelhadas ou “sangue de leão” são especialmente valorizadas como símbolo máximo de status e poder.
Em 2011, o famoso “Big Splash” (Hong D**g), um exemplar vermelho, foi vendido por cerca de US$ 1,5 milhão. Em março de 2014, na Zhejiang Luxury Pet Fair, um filhote de 1 ano, com pelagem alaranjada/dourada, 80 cm de altura e quase 90 kg, foi arrematado em um único lance por US$ 1,95 milhão (cerca de 12 milhões de yuans) por um empresário imobiliário de Qingdao. O criador comparou o animal a “pandas gigantes”, reforçando seu valor como tesouro nacional de luxo.
O Mastim Tibetano é um cão primitivo: entra no cio apenas uma vez por ano (mesmo em climas quentes), late pouco durante o dia, mas produz um latido profundo e retumbante à noite, típico de sua função ancestral de vigilância. Adultos machos podem ultrapassar 70-90 kg e 80 cm de altura na cernelha, com porte musculoso, cabeça larga, stop pronunciado e expressão séria. Apesar da aparência intimidadora, ele é calmo e leal com a família, mas extremamente territorial e reservado com estranhos — qualidade que o tornou guardião perfeito por milênios.
Hoje, embora ainda raro fora da Ásia, o Mastim Tibetano continua fascinando pelo contraste entre sua força ancestral e o status de luxo que conquistou na China moderna, onde exemplares de linhagem pura e pelagem especial alcançam preços elevados em leilões e feiras de animais premium.
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