09/10/2020
Outro dia uma pessoa comentou aqui que eu deveria falar mais sobre a cesárea, que pode ser linda e emocionante tanto quanto o parto normal. Então resolvi fazer esse texto.
Um nascimento, seja ele como for, deveria ser sim, lindo, emocionante, respeitoso e, principalmente SEGURO para mãe e bebê. Mas infelizmente não é o que acontece na maioria dos casos aqui no Brasil.
No ano de 2017, 1.627.302 bebês nasceram por via cirúrgica por aqui. Isso é o equivalente a quase 56%, e na rede privada, 85% dos nascimentos aconteceram através da cirurgia. Isso quer dizer que a maioria das famílias foi levada a acreditar que a cesariana era a opção mais segura para receber o seu filho, o que vai totalmente contra às recomendações da OMS (15%) e às evidências científ**as.
A cesárea serve para salvar vidas, deveria ser realizada apenas com indicações reais e, nessas condições, ser feita com todo o respeito pelo binômio. Mas o que temos hoje é uma linha de produção. Nascimentos cirúrgicos em série completamente impessoais e assistências focadas em lucro e conveniência. E além desses, as chamadas "cesáreas humanizadas" que são vendidas muitas vezes oferecendo um falso protagonismo à família e uma segurança baseada em mentiras.
E é por essas e muitas outras que não cabem aqui nesse texto, que falo tanto do parto normal. Dos seus benefícios, da segurança, da transformação, da emoção, do vínculo, do protagonismo e da beleza de ver a natureza agindo. Se a mulher entrar em qualquer consultório por aí ela ouve "SE DER pode ser normal, mas a cesárea você pode marcar, se preparar, é mais rápido, não tem dor" 🙄
A nossa sociedade criou um estigma sobre o parto normal que vem da má assistência prestada pelos profissionais e serviços de saúde. E eu estou aqui justamente para mostrar que com INFORMAÇÕES DE QUALIDADE (e muita luta) é possível conseguir parir com respeito e segurança nesse nosso sistema obstétrico massacrante e cruel. E para isso eu preciso mostrar incessantemente o quanto o parto normal pode ser maravilhoso (e seguro), já que na família, no trabalho e no consultório a gestante vai ouvir quase sempre que a melhor opção é a cirurgia.