26/04/2026
Olhares de domingo.
Hamnet: A vida Antes de Hamlet
Uma das maiores obras da dramaturgia ganhou movimento audiovisual novamente.
Trata-se de Hamnet: A vida depois de Hamlet, dirigido por Chaloé Zhao, estralado entre outros atores por Jessie Buckley ( Agnes) e Paul Mescal ( William Shakespeare.
O filme inspira-se em uma das maiores obras trágicas de Shakespeare, o seu Hamlet,mas também,na morte real de seu filho Hamlet
O filme explora temas como , perda, morte e luto, sob as óticas do aspecto trágico que também faz parte da existência. Ou seja, fatos que ninguém deseja, mas que podem fazer parte da vida humana. Nesse sentido, o trágico inspira-se na morte prematura de Hamnet, apenas 11 anos, ou seja, algo dito antinatural, pois o “ certo” diríamos nós, é que os filhos sepultem seus pais, mas, a vida não pergunta, apenas executa e segue, sem nenhuma delicadeza.
Com fotografia belíssima e força dramática digna de um grande clássico, princ@ipalmente Agnes ( Jessie Buckley), esposa de Shakespeare, oferece uma atuação avassaladora; entre desespero e olhar profundo e ao mesmo tempo vago, o rosto algo desfigurado, a atriz deixa impresso que há uma diferença substancial entre superação e transformação diante do luto. Superar pode soar algo até agressivo, pois de alguma forma pode representar aniquilar junto com a dita superação o amor que ficou no coração de quem ficou sem a vida do ente que parte. Somente superar, é estrangular a verdade afetiva que pode continuar existindo.
Já transformar, significa ver sob outras lentes, dar sentido, incorporar, encarnar a nova realidade, de forma que se possa dar espaço para a nova vida neste lugar lúgubre, que é a pós partida de quem se amou muito e se traduz em um sentimento pesado e quase insuportável.
A obrigação de superar tudo, de ser “forte” o tempo todo, tem adoecido mais que os próprios problemas e desafios cotidianos.
Há um mercado perverso ganhando com isso, criando futuros órfãos e órfãs de uma estrutura psíquica genuinamente humana: tempo para sorrir, tempo para chorar; tempo para ganhar, tempo para perder....
Não podemos perder esse patrimônio psíquico ou comprometê-lo impondo à noss