15/12/2025
Nem parece autista…
porque você não vê o esforço que faço todos os dias para me encaixar.
Porque você não sente a sobrecarga depois de um dia normal.
Porque você não percebe as estratégias que desenvolvi para mascarar cada dificuldade.
Porque o que está dentro de mim não é visível a olho nu.
Nem parece autista…
mas às vezes, um simples compromisso fora de casa pode me consumir dias de energia. A preparação mental, o medo de imprevistos, a preocupação com barulhos, cheiros, luzes… Algo que parece trivial para os outros pode ser uma batalha interna para mim.
Nem parece autista…
mas eu fico exausto depois de interações sociais. Um almoço com amigos, um evento de trabalho, até mesmo atender ligações pode ser desgastante. Não porque eu não gosto de pessoas, mas porque cada conversa exige um esforço mental enorme para interpretar sinais não verbais, entender subtextos e responder da maneira “certa”.
Nem parece autista…
mas eu passo horas ensaiando conversas na minha cabeça. Antes de uma reunião, de uma ligação ou até de pedir algo simples em um restaurante, meu cérebro repassa dezenas de possibilidades, tentando prever cada resposta para evitar erros sociais.
Nem parece autista…
mas qualquer mudança na rotina pode me desestabilizar. Cancelaram um compromisso de última hora? Mudaram o horário de uma reunião? Pode parecer besteira, mas dentro da minha cabeça, é como se o chão tivesse sumido, e eu precisasse reorganizar tudo para não entrar em colapso.
Nem parece autista…
mas na escola e na faculdade, a sobrecarga sensorial e social me fazia chegar em casa completamente drenado. O barulho incessante, as luzes fortes, a pressão para interagir o tempo todo… Por fora, eu parecia bem. Por dentro, sentia que estava sempre no limite.
Nem parece autista…
mas no trabalho, era difícil lidar com mudanças repentinas, cobranças sem clareza ou reuniões lotadas de gente falando ao mesmo tempo. Eu saía dessas situações exausto, tentando entender o que fiz de errado, por que sempre parecia que eu estava atrasado em relação aos outros.
Nem parece autista…
mas eu convivo com ansiedade esmagadora, crises de depressão, oscilações de humor e noites intermináveis sem dormir. O autismo não anda sozinho. Muitas vezes, ele vem acompanhado de transtornos que tornam o dia a dia ainda mais difícil.
Nem parece autista…
mas no ex-casamento, a comunicação parecia um campo minado. Eu dizia algo, a outra pessoa entendia outra coisa. Pequenos mal-entendidos viravam discussões. Eu tentava explicar, mas minha forma de pensar e sentir o mundo era diferente. No fim, ambos saíamos machucados, sem entender direito como chegamos até ali.
Nem parece autista…
mas meu corpo sente. Problemas gastrointestinais sem explicação, tensão muscular constante, dores de cabeça frequentes… Meu cérebro e meu corpo estão sempre em estado de alerta, processando o mundo de um jeito que cansa até fisicamente.
Nem parece autista…
mas eu vivo uma montanha-russa interna que ninguém vê. O controle que preciso ter sobre minhas reações, as estratégias que uso para parecer funcional, o esforço constante para corresponder às expectativas… Tudo isso acontece em silêncio, sem que ninguém perceba.
“Nem parece autista…” é o elogio que apaga.
Não é “drama”. É pagar caro para caber.
O que você não vê: ensaio de frases antes da reunião; scripts mentais para ligações; esforço para decifrar subtexto; barulhos, cheiros e luzes invadindo como alarme; exaustão depois de um almoço “normal”; dias arruinados por mudanças de última hora; corpo em alerta, tensão muscular, sintomas gastro; silêncio por fora e saturação por dentro. Isso tem nome: camuflagem social e custo sensorial.
Autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento. Adultos autistas podem performar bem em certos contextos e, ao mesmo tempo, ter limites de energia menores e instáveis. Não é contradição; é funcionamento neuroatípico. A conta vem depois.
Se você é autista: não precisa se desgastar para provar nada. Defina limites, combine sinais com os seus, proteja rotina e ambientes previsíveis.
Se você convive: pare de medir a dor pelo que enxerga. Valide, reduza estímulos, seja direto, ofereça previsibilidade.
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