24/05/2025
A Sabedoria Tolteca e o Chamado à Consciência no Mundo Moderno
Vivemos em uma era marcada pela pressa, pela hiperconectividade e pela distração constante. Em meio a esse ruído, o livro Os Quatro Compromissos, de Don Miguel Ruiz, ressoa como um chamado ao despertar. Baseado na antiga sabedoria tolteca, o autor propõe quatro princípios aparentemente simples, mas profundamente transformadores: seja impecável com sua palavra, não leve nada para o lado pessoal, não tire conclusões e sempre dê o melhor de si.
No cotidiano, nossa palavra é muitas vezes negligenciada. Promessas vazias, fofocas, julgamentos apressados , tudo isso fere, constrói muros e perpetua ilusões. Ser impecável com a palavra é, em essência, escolher a verdade e a integridade como bússola. Em um tempo em que as redes sociais amplificam discursos vazios e egos inflados, esse compromisso nos convida ao silêncio criador e à fala consciente: dizer apenas o que edifica, o que cura, o que é real.
Não levar as coisas para o lado pessoal é talvez o maior antídoto contra a ferida do ego. Somos ensinados a reagir, a nos defender, a interpretar tudo como ofensa. Mas, como lembra Ruiz, o que o outro diz ou faz fala muito mais dele do que de nós. Na prática, esse princípio é uma forma de liberdade: quando deixamos de ser reféns da opinião alheia, nos reconectamos com nossa própria verdade.
Evitar suposições é um exercício de humildade. Quantas relações ruem por palavras que nunca foram ditas, por verdades que nunca foram questionadas, por conclusões que nunca foram confirmadas? Vivemos num tempo de julgamentos rápidos e escuta rarefeita. Praticar o não-supor é cultivar a arte de perguntar, de escutar de fato, de se abrir ao outro com curiosidade em vez de certeza.
E por fim, dar o melhor de si , não como perfeccionismo, mas como entrega. É saber que cada dia traz uma medida diferente de energia, mas que a inteireza da presença é o que nos humaniza. Numa sociedade que cobra produtividade a qualquer custo, esse compromisso resgata a dignidade do esforço autêntico, aquele que nasce da conexão consigo mesmo e não da exigência externa.