22/10/2019
Certo dia, estava no metrô, quando ouvi uma discussão entre duas pessoas, aparentemente, eram familiares. Irmãs, talvez.
Uma estava contando os problemas que estava vivendo e como era ainda mais difícil lidar com isso, tendo depressão, pois, por diversas vezes, só desejava ficar em seu quarto, sozinha.
Enquanto desabafava, sem pausas, sobre seu sofrimento. A sua 'irmã' (chamaremos assim) disse: “Você tem que parar de reclamar! Todo mundo está triste também, você tem que ser forte. Tem que criar força, ter fé”.
Sai do vagão e segui meu trajeto.
A breve história não foi trazida a fim de criar julgamentos sobre a irmã, bem como das crenças da mesma, mas, sim, de proporcionar uma reflexão sobre um assunto que ainda está na atualidade, não é novo, porém, atinge muitas pessoas e também, de formas diferentes, seus familiares e amigos.
Na linguagem cotidiana, a palavra “depressão” tem sido empregada, muitas vezes, para mencionar um estado de tristeza. Todavia, a depressão, como alguns acreditam, não é um estado típico de estar triste. Não é uma questão de se sentir mal e logo estar bem. De ser forte ou fraco. De não crer ou de ter alguma fé.
A depressão, como doença, sintoma e síndrome, não é uma regra que todos viverão da mesma forma, pelo mesmo motivo, que se originará no mesmo momento e será igualmente sentida. A depressão possui graus e os sintomas variam - de paciente para paciente.
Este texto não possui o objetivo de explanar os sintomas e o conteúdo teórico acerca desta temática. A pauta está na particularidade do sentir. E, assim, podemos abordar diferentes casos, como esse.
Para uma pessoa, dirigir pode ser uma aventura. Para outra, pode ser aversivo, dá medo.
Para alguém, lidar com uma situação de pressão no trabalho pode ser um desafio. Para outro alguém, um grande problema.
Para outra, terminar um namoro pode ser algo superado com um novo namorado. Para outra, pode ser um longo processo.
Na depressão, as dificuldades e os problemas, não serão sentidos e vivenciados da mesma forma que em pessoas que não possuem.
Algumas pessoas, como a ‘irmã’ do relato, podem não saber se expressar, ou não entender o que está acontecendo, e as palavras acabam saindo como uma espécie de gatilho para sentimentos de solidão e incompreensão, dúvidas constantes se realmente pode contar com alguém.
Cada um sabe a dor que guarda.
Só você sabe o que é sentir COMO você.
E por mais que o sentir pode ser subjetivo, as vezes, um tanto solitário. Há quem possa sentir COM você.
O sentir é PARticular, contudo, pode ser comPARtilhado.
Obs.: Os exemplos dados não estão para ser comparados e colocados no mesmo patamar de um caso de depressão, mas para reforçar que haverá diferença no sentir.