20/11/2021
A PANDEMIA E O NOVO NORMAL: O LEGADO QUE F**A
Palestra de Valdir Pereira Ventura, CEO do Grupo São Cristóvão Saúde, em seminário da ACSP sobre os novos rumos do setor de saúde após a pandemia
Em comemoração aos 68 anos da Associação Comercial de São Paulo – Distrital da Mooca –, a entidade convidou o CEO do Grupo São Cristóvão Saúde, Valdir Pereira Ventura, para apresentar a palestra “A pandemia e o novo normal, o legado que fica”, no último dia 17 de novembro. A noite, que foi de diversas homenagens para os representantes da ACSP, também condecorou Valdir Pereira Ventura pelo seu trabalho ante os desafios impostos pela Covid-19.
Valdir Pereira iniciou sua fala abordando a história do grupo São Cristóvão e sua longa atuação no setor de saúde em São Paulo, tornando-se referência na região leste paulistana. O empresário e CEO do grupo disse que a Covid-19 representou, apesar das inúmeras dificuldades relacionadas ao período, “uma chance para experimentar novas oportunidades e iniciativas”. Para Valdir Pereira, a saúde do futuro será digital, e este processo está em andamento na sociedade.
Segundo ele, as novas tendências para o mercado de saúde são latentes e “há um novo padrão de consumo pela Internet”, caracterizado pela abundância de informações e possibilidades de negócios através dos celulares, computadores e outros gadgets.
Por outro lado, ainda abordando o tema da pandemia do coronavírus e as novas possibilidades da saúde digital, o CEO criticou a ausência de protocolos definidos para combater a circulação do vírus, assim como a falta de medicamentos e insumos hospitalares, principalmente com a crise na indústria do setor dos dispositivos médicos, caracterizada pelo aumento expressivo nos preços dos insumos e pela ausência de uma política de Estado para o desenvolvimento da indústria, o que colocou o Brasil na contramão das principais iniciativas de outros governos, como nos EUA, Reino Unido e Alemanha.
Em seu entendimento, para enfrentar este cenário, será fundamental para os empreendedores do ramo de saúde, a inovação e a elaboração de estratégias para alinhar a oferta com as demandas do mercado. Neste sentido, ele explicou que o Grupo São Cristóvão Saúde criou um comitê de crise e agiu para melhorar o acolhimento dos seus beneficiários. Este comitê determinou as ações necessárias para combater a pandemia, como uma nova rede de hotelaria, a adoção da hospitalidade virtual, e diversas outras pequenas medidas e melhorias. Valdir Pereira ainda celebrou não ter mais pacientes de Covid-19 nas instalações da instituição que ele preside.
O palestrante destacou que o Grupo São Cristóvão continua inovando no setor de tecnologia, reduzindo custos e ampliando sua rede de atuação. Segundo ele, são 153 mil beneficiários de saúde e mais de 15 mil no setor de odonto. Sua empresa tem 2.161 colaboradores e 980 médicos, fazendo mais de 315 mil atendimentos por ano. Além disso, o Grupo São Cristóvão conseguiu se expandir durante a pandemia, promovendo inúmeras reformas em suas instalações, mais notadamente a criação do IEP e o gerenciamento da Santa Casa de Francisco Morato.
Valdir Pereira Ventura fez questão de elencar os principais investimentos de sua empresa, como novos aparelhos de ressonância magnética, hemodiálise, ventiladores pulmonares, desfibriladores, e diversos outros equipamentos. O Grupo São Cristóvão também lançou seis novos planos de saúde para readequar a empresa à realidade da população, cuja demanda por serviços on-line cresceu exponencialmente. Para ele, apesar dos bons números apresentados pelo Grupo, a Covid-19 ainda representa desafios consistentes.
Ele salientou que, por exemplo, existem mais de 50 efeitos diferentes para pacientes que tiveram Covid-19, como lapsos de memória e linguagem, e o agravamento de transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão. O CEO destacou que a crise financeira que atinge a saúde ainda é brutal, com aumento dos custos e um prejuízo de R$ 22,5 bilhões em fraudes em 2020. Contudo, ele avaliou que é possível reverter este cenário a partir de investimentos na agilidade, especialização, tecnologia e assertividade do setor. Em suas palavras, “por mais difícil que tenha sido esse momento, nós precisaremos ressignificar a pandemia, seguir em frente, rever nossos projetos, traçar novos planos e nos adaptar para que nossa vida continue sempre em movimento”.
Ao fim de sua apresentação, o CEO Grupo São Cristóvão fez uma análise sobre como será o mundo no pós-Covid. Ele entende que medidas de higiene farão parte do “novo normal”, e há um processo evidente de novos cuidados com a saúde, principalmente no segmento de saúde mental, pois o “novo normal” exige adaptabilidade e resiliência para lidar com a “nova realidade urbana”. Neste sentido, ele ainda alertou para a importância do investimento em ferramentas que possibilitem trabalhar a partir dos hábitos recém adquiridos pela população ao longo da pandemia, como a telemedicina.