24/01/2026
Há 6 anos eu deixei de ser quem eu era pra me tornar mãe. Há 6 anos eu atravessei o mar para AMAR.
Atravessei a gestação, a frustração com meu parto, a dor da cesárea, o parto, o puerpério, a solidão, e sai do outro lado. São sobrevivendo até me reconhecer, reconectar e encontrar a cor de tudo.
Esse texto não é uma carta de amor pro meu filho, mas a celebração de uma transformação diária, contínua e que não me dá mão escolha.
Pelo meu filho eu movo o mundo, faço loucuras, tenho as risadas mais genuínas e as crises de estresse mais profundas.
Como eu amo intensamente com um amor que chega a doer o peito, mas como eu também não amo ser mãe todo dia a todo tempo.
E é aí que tá:
a maternidade não me santificou, me humanizou.
Ela arrancou camadas, certezas, personagens.
Me colocou diante de limites que eu não conhecia
e de forças que eu jamais imaginei sustentar.
Ser mãe não me fez melhor. Me fez mais real.
Mais crua. Mais consciente do que dói, do que falta
e do que ainda está em construção.
Há dias em que eu agradeço. Há dias em que eu só sobrevivo. E há dias em que tudo isso cabe junto no mesmo peito cansado.
Essa foto não fala só de nascimento.
Fala de renascimentos sucessivos.
Da mulher que morre um pouco, da mulher que resiste,
da mulher que insiste em se encontrar
no meio do amor, da culpa, do cansaço e da beleza.
Eu sigo.
Não porque é fácil.
Mas porque é irreversível.
Porque depois de atravessar esse mar,
não existe retorno à mulher que eu fui.
Existe a coragem diária de existir em quem eu me tornei.
Ser mãe não é sobre dar conta. É sobre não desaparecer. Mesmo quando tudo em mim pede silêncio, pausa, fuga.
Eu fico.
Por eles.
Mas, sobretudo, por mim.