20/11/2024
"Mary Jane Seacole, nascida em Kingston, na Jamaica há 139 anos, em 23 de novembro de 1805. Filha de uma negra nativa livre da Jamaica e de um oficial escocês, desde idade tenra teve contato, através de sua mãe, ao atendimento a doentes com práticas alternativas, atuando na assistência durante endemias de cólera e febre amarela em seu país e nações vizinhas, como nas Bahamas, Haiti, Cuba e Panamá, também afetadas por doenças tropicais. Na juventude, foi enviada a Londres para aprimoramento de seus estudos de Enfermagem. Lá, tornou-se voluntária da comitiva de enfermeiras recrutadas para atendimento aos soldados ingleses, sob o comandado de Florence Nigthingale. Foi recusada por motivos óbvios: era negra.
Dirigindo-se a Crimeia por meios próprios, Mary Jane Seacole atendeu a soldados feridos na guerra, não apenas ingleses. Era tão admirada pelos combatentes (que a apelidaram de Mãe Seacole) que estes angariaram recursos para seu sustento, quando esteve à beira da miséria após a guerra. Esquecida pela história, sua autobiografia (Wonderful Adventures of Mrs. Seacole in Many Lands) foi resgatada em um sebo de Londres por uma enfermeira inglesa, em 1973. Após revelada a sua história, foi reverenciada em seu país com a maior honraria, a Ordem do Mérito Jamaicano, em 1991. Na Inglaterra. Mary Jane foi votada como a maior personalidade negra britânica, em 2004. ...A deferência à Mary Jane, representante da mulher negra na enfermagem, nos leva à reflexão de que a invisibilidade da enfermagem é estrutural e perpassa por conduta e preconceito reacionários ao papel da mulher atuando em atividades consideradas de menor importância. Assim, reverencio e referencio a data de hoje na figura de Mary Jane Seacole a todas as profissionais negras no mundo, que a história insiste em negligenciar e invisibilizar. E afirmar que, apesar de todo o avanço tecnológico no século XXI, ainda padecemos de discriminação de gênero, raça e social, que na condição de mulher negra se exacerba por um fenômeno chamado de interseccionalidade"
Ana Lúcia Telles. Disponível em: https://www.coren-rj.org.br/mary-jane-seacole-a-outra-florence-nightingale/