06/04/2020
"_Depois que dei um quarto para minha filha, ela mudou completamente. Está mais feliz e até superou o seu medo de f**ar sozinha, de tudo. Não entendi o por quê."
Sabe que o ser humano é complexo, a gente procura não ter um julgamento de acordo com um ponto de vista de uma pessoa; ou seja, de quem conta, mas também é necessário conhecer como pensa a própria criança.
Uma suposição para justif**ar esse comportamento é que pode estar relacionado ao sentimento dela de pertencimento, alguma questão de rejeição (o que pode parecer estranho pelos cuidados que poder recebe, até presentes) mas, as vezes,pelo ponto de vista da criança, uma determinada coisa falta para se sentir de fato amada.
Dar presentes pode não representar a realização de um desejo, pode não ser ser igual a dar um quarto só para ela.
Para muitas pessoas, sejam crianças ou adolescentes, ter um quarto para si pode signif**ar que a pessoa existe; pode se sentir única, especial, importante; pode sentir ser sua independencia, um lugar que ela também manda, ou seja, de estar no papel de quem tem o poder, a autoridade,
Quantas crianças não sonham com isso. De ter seu espaço , seu "castelinho de princesa", ou qualquer outro lugar que possam chamar de seu. Tudo, na verdade, de forma inconsciente, é para viverem suas experiências(imaginárias, claro) . Essas experiências revividas através do brincar é que constitui suporte emocional para suportarem experiências do mundo real, as quais, naquele momento, não deram conta ou não entenderam. O brincar faz com que revivam e possam se colocar no lugar do outro, e observar o fato de uma maneira "de fora" e "controlável". Elas experimentam os dois lugares: do algoz e de sua vítima. Lembrem-se, que não se trata do ponto de vista do adulto, mas da criança; e essa criança está na primeira infância. O adolescente pode estar incluido nessa perspectiva, sim, na pré-adolescência, no início da adolescência ainda pode ser que contemple, tudo depende. Mas, devemos levar em consideração que o adolescente já está numa outra fase, e pressupõe-se que se tenha um pouco mais de estrutura do seu ego, enquanto a criança está se estruturando.
De acordo com a teoria do desenvolvimento psicossexual de Freud (1905), no início da vida, o recém-nascido traz consigo "germes de moções se***is" que sofrem repressões progressivas até serem contidas pelos diques do asco, vergonha e exigências morais.
A energia das moções se***is, contida pelos diques e pela repressão, se volta, através de processos sublimatórios, para fins educacionais, realizações culturais, entre outros.
Este processo, que conta com o estímulo das regras culturais e educacionais, é também orgânico ou hereditário, pois pode ocorrer sem o auxílio da cultura, é o que Freud vai chamar de período de latência.