28/01/2019
“A automutilação pode veicular diferentes mensagens e, portanto, ser desdobrada em vários significados, sempre conectados às particularidades de quem provoca as lesões. Pode ser a expressão de alívio de uma dor emocional; de uma punição dirigida a uma outra pessoa ou a si mesmo; de um cuidado consigo, já que a ferida vai ser tratada; um escape para a raiva, um canal de euforia, um ato que acalma ou mesmo uma maneira de sair de um estado de entorpecimento. No total, o psicólogo canadense E. David Klonsky, da Universidade de British Columbia, identificou 13 funções na prática do cutting , lembra Aragão Neto na entrevista ao CVV. “Dizem: eu não tolero, é insuportável para mim naquele momento e eu me mutilo para o alívio dessa dor emocional. É um discurso paradoxal para as pessoas leigas imaginar como alguém precisa se machucar para tentar se livrar de uma dor emocional, mas é exatamente essa a principal função que os jovens alegam.””
Prática assusta pais e educadores e aponta para um sofrimento não veiculado pela palavra. Especialistas falam da importância de se ensinar a lidar com frustrações.