08/03/2026
Em homenagem ao mês da mulher, com destaque ao dia 08 de março, compartilho com vocês algumas questões que envolvem a saúde mental das mulheres (e dos homens também).
No livro “A Arte Perdida de Educar” a autora escreve um relato pessoal que você, mãe, pode se identificar em algum aspecto: As primeiras seis semanas de vida de Rosy transcorreram sem contratempos. Matt me preparava sanduíches grelhados de manteiga de amendoim e geleia, enquanto eu aprendia a amamentar. Rosy chorava muito. Mas Matt e eu trabalhávamos juntos para niná-la e acalmá-la, e minha irmã veio passar dez dias conosco, o que foi maravilhoso. Então, Matt voltou ao trabalho. E nosso mundo mudou de uma maneira perigosa. No terceiro mês, me sentia completamente exausta. Eu dormia, em média, três ou quatro horas por noite, quando muito, pois não conseguia fazer Rosy ficar no berço por mais tempo do que isso. A exaustão significava que eu não tinha energia para fazer mais nada, exceto manter aquele minúsculo ser humano vivo.
A depressão que surge depois na autora não se trata de uma depressão pós-parto. Trata-se de uma questão social e cultural. Todo ser humano submetido às mesmas condições adoeceria. 100% dos homens e mulheres, isso mesmo, que ousado, 100% adoeceria dormindo 3h por noite por meses seguidos, sem tempo para comer, tomar banho, fazer as necessidades fisiológicas, e um mínimo de atividades prazeirosa.
E se 100% dos homens e 100% das mulheres adoece nestas condições, por que essa carga é imposta através de lei exclusivamente sobre as mulheres? Considerando que a amamentação depende de alguém colocando o bebê em pé para fazer a digestão, trocando a fralda, e às vezes embalando para reproduzir o movimento da vida intrauterina, quem ganha com a grande mentira social que isso depende apenas da mãe? Os 82% do Congresso Nacional ganha, 422 cadeiras ocupadas por homens que fazem leis e não reconhecem o papel essencial da paternidade para a saúde da mãe e do bebê.
O dia 8 de março representa a morte de 129 operárias mulheres em um incêndio ocorrido no ano de 1857 em uma fábrica têxtil. Estamos falando sobre falta de condições sociais de saúde e cuidado, que ainda hoje persistem.