12/12/2025
Você já ouviu que “semelhanças atraem”? Um estudo robusto publicado em 2016 no JAMA Psychiatry sugere que isso vai além de gostos ou hobbies — muitas vezes, isso envolve neurodivergência e saúde mental.
Na pesquisa, foram analisados dados de mais de 700 mil pessoas diagnosticadas com um dos 11 principais transtornos psiquiátricos (como Transtorno do Espectro Autista- TEA, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade- TDAH, Esquizofrenia, entre outros) e verificou-se quem foram seus parceiros. 
🔎 Principais achados
• Pessoas com um diagnóstico psiquiátrico têm entre 2 a 3 vezes mais chance de ter um parceiro também diagnosticado do que pessoas sem diagnóstico. 
• Em muitos casos, o parceiro/a tem o mesmo diagnóstico — por exemplo, para TEA, TDAH ou esquizofrenia as taxas de “casamento entre iguais” foram especialmente elevadas. 
• Esse padrão — chamado de non-random mating ou “emparelhamento não aleatório” — é bem maior que o observado para condições físicas (como diabetes ou Crohn), o que sugere que existe algo específico na neurodivergência / saúde mental que favorece essas uniões. 
💡 Por que isso é importante?
Esse tipo de conexão entre pessoas neurodivergentes ou com condições similares pode reforçar a visibilidade da neurodiversidade — possibilita que pessoas que compartilham formas de pensar, perceber e experienciar o mundo encontrem compreensão mútua. Pode haver empatia, sintonia nos desafios, maior acolhimento da singularidade de cada um.
Além disso, do ponto de vista científico, esses padrões têm implicações: a suposição de “acasalamento aleatório” muitas vezes usada em estudos genéticos pode estar equivocada. Isso impacta como entendemos a hereditariedade, os fatores de risco e a persistência intergeracional de certas condições. 
🧠 Para quem se identif**a com a neurodivergência
Se você é neurodivergente, talvez perceba que se conecta com pessoas que compartilham suas vivências, desafios e singularidades. E está tudo bem — faz sentido.
A ciência mostra que não estamos sozinhos. Há padrões, há pertencimento, há comunidade.
Por Dra. Gisele Amarante
Médica Psiquiatra