10/02/2026
A dispneia em felinos configura uma emergência respiratória aguda de alto risco, com potencial evolução rápida para hipóxia tecidual grave e colapso cardiorrespiratório. Estudos clínicos reforçam que o comportamento típico da espécie, caracterizado pela ocultação de sinais clínicos, frequentemente faz com que o paciente chegue ao atendimento em estágio avançado de descompensação.
A avaliação inicial deve ser rápida, visual e com mínima contenção, priorizando a observação do padrão respiratório. Achados como taquipneia acentuada (>80 movimentos respiratórios por minuto em repouso), aumento do esforço abdominal, ortopneia ou respiração com a boca aberta indicam gravidade e risco iminente de fadiga respiratória.
O manejo inicial recomendado envolve oxigenoterapia suplementar não invasiva, por métodos como flow-by ou câmara de oxigênio, visando restaurar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório. A monitorização contínua da frequência respiratória e da saturação periférica de oxigênio é essencial para ajustes terapêuticos precisos.
Após estabilização inicial das vias aéreas e da ventilação, a abordagem sistematizada ABCDE deve ser seguida. Nesse contexto, a ultrassonografia point-of-care (POCUS) tem papel fundamental, permitindo identificação precoce de efusão pleural, presença de linhas B pulmonares ou dilatação atrial compatível com insuficiência cardíaca congestiva, sem necessidade de manipulação excessiva do paciente.
Procedimentos como toracocentese devem ser realizados apenas quando houver confirmação ou forte suspeita de efusão pleural com impacto clínico relevante. Exames radiográficos, preferencialmente em projeção dorsoventral, devem ser postergados até que o paciente esteja adequadamente oxigenado e hemodinamicamente estável.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem etiologias cardiogênicas, pleurais e parenquimatosas, sendo consenso na literatura que o alívio sintomático e a estabilização respiratória precedem qualquer investigação diagnóstica invasiva.