14/01/2026
Quando falamos em herpes, muita gente imagina apenas as lesões na pele: pequenas bolhas doloridas que aparecem nos lábios, na região ge***al ou em outras áreas sensíveis. Mas a verdade é que aquilo que vemos externamente é apenas uma parte do processo. O herpes é, na prática, um dos exemplos mais sofisticados de persistência viral — e entender isso muda completamente a forma como encaramos a doença.
O vírus do herpes simples tem uma característica que o torna praticamente impossível de eliminar do organismo: ele se esconde nos gânglios da raiz dorsal, estruturas nervosas localizadas ao lado da coluna vertebral. Ali, ele permanece “adormecido”, integrado às células nervosas. E o detalhe mais importante: o sistema imunológico não destrói neurônios, pois isso poderia causar danos irreversíveis. Ou seja, o vírus se abriga exatamente no ÚNICO lugar onde o corpo não pode agir com força total.
Quando a imunidade cai (ex período pré-menstrual) o estresse aumenta ou há exposição excessiva ao sol, o vírus acorda. Ele então percorre os nervos periféricos em um processo chamado transporte axonal retrógrado, viajando até a pele. As lesões que surgem não são o vírus “entrando” no corpo, mas sim saindo do esconderijo para se replicar. Esse vai e volta pode acontecer várias vezes ao longo da vida.
É por isso que o tratamento do herpes não busca eliminar o vírus — isso, até hoje, não é possível —, mas sim reduzir a replicação e controlar a frequência dos surtos. Medicamentos antivirais ajudam a encurtar os episódios e diminuir a transmissão, mas não removem o material viral dos neurônios. E justamente por isso o acompanhamento médico é essencial sempre que houver dor intensa, recorrência frequente ou dúvida sobre o diagnóstico.