10/02/2026
Ninguém te prepara para a saudade de você mesma,
ou daquela que um dia você foi…
Isso mesmo: a mulher que você foi um dia nunca mais vai existir.
É impossível passar por uma gestação e um parto e continuar sendo a mesma.
A transformação é parte inevitável desse ciclo.
Mas, quando você engravida, ninguém te avisa
que também é preciso se despedir.
Porque depois de atravessar a experiência mais transformadora da vida, o que acontece é isso: você se transforma.
Não escrevo isso com pesar.
Mas até as boas transformações trazem mudança,
e toda mudança carrega algum tipo de luto e despedida.
Antes do bebê, você tinha uma rotina.
Tinha silêncios.
Tinha tempo que era só seu, mesmo que pouco.
Depois que ele nasce, tudo muda.
O corpo muda.
O ritmo muda.
O centro do mundo muda.
O café quente vira morno.
A academia pode demorar a voltar.
Você não consegue mais sair sem deixar um pedaço seu para trás, nem sem pensar a cada minuto se está tudo bem.
E mesmo com todo o amor pelo seu bebê,
pode nascer uma saudade estranha:
saudade de quem você era.
Não é falta de amor pelo seu filho.
É luto pela mulher que você foi.
Aquela que:
• saía sem pensar em horários
• dormia sem contar mamadas
• chorava por si, não só pelo outro
• existia sem se dividir em mil
Essa saudade não te faz ingrata.
Te faz humana.
Porque virar mãe não apaga quem você era,
mas pede que você se reinvente.
E toda reinvenção exige tempo,
paciência
e gentileza com quem você está se tornando.
Um dia, aos poucos,
você vai se reconhecer de novo:
diferente, mais inteira,
uma versão ampliada de você.
Mas enquanto isso,
se bater saudade de você,
acolha.
Você não se perdeu.
Você está nascendo de novo.