06/03/2026
Escrevo aqui, uma pequena reflexão, sucinta, sobre o que vim pensando nestes últimos dias para escrevernesta semana "da mulher".
Para mim, não há como pensar em algo para escrever num dia internacional da mulher, quando estamos apavoradas com os números crescentes de violência praticados por homens contra as mulheres, sem lembrar dos conceitos psicanalíticos de castração e narcisismo, ambos sendo encruzilhadas estruturais cruciais no desenvolvimento humano, que determinarão como o sujeito existe e se relaciona com os demais, como se vê, como funciona, como lida com limites, e com os limites não só do próprio desejo, mas também do próprio corpo, com a alteridade e com a diferença, com poder e possibilidades.
Penso que algo se encaminhou muito mal para estes sujeitos ao fazerem a travessia do narcisismo e da castração - com seus respectivos controles pulsionais - fundamentais na construção do sujeito, sem desconsiderar que há sim, outros fatores que contribuem para condutas assim violentas, que tomam o semelhante, uma mulher, como objeto de posse, gozo, como algo que pode simplesmente ser aniquilado e destruído, seja lá por qual motivo, tudo isso sem nenhum vestígio de consideração ou alteridade e de um controle sobre a pulsão de morte.
Com isso, penso que parte do que diferencia homens que praticam violência contra as mulheres, daqueles que não o fazem, passa por fases muito primitivas do desenvolvimento e estruturação do psiquismo, mas também por todo um caldo social, cultural, ambiental, relacional e interseccional, no qual estamos todos imersos e não imunes.
F**a o questionamento, será possível ajudar toda a sociedade, a criar meninos que serão homens que respeitarão seus semelhantes, para além das diferenças, sejam elas quais forem?
E como?