22/01/2026
“Ter TOC não é sobre gostar de repetir coisas ou ser muito organizado.
Eu vivo com a sensação constante de que algo importante pode dar errado — e que, de alguma forma, isso seria minha culpa.
Minha mente cria dúvidas que não se resolvem sozinhas. Mesmo quando tudo parece ok, surge um ‘e se…?’ que não dá trégua.
E não é um pensamento qualquer. Ele vem carregado de medo, urgência e responsabilidade.
Para aliviar esse medo, eu faço coisas que, por fora, podem parecer exageradas ou sem sentido: checar, evitar, repetir, pensar de novo, pedir certeza.
Por alguns minutos funciona. Depois, a dúvida volta — maior.
O mais cansativo não é o pensamento em si.
É viver tentando provar para a própria mente que está tudo bem… sem nunca conseguir convencer totalmente.
Eu sei que, racionalmente, muitas coisas não fazem sentido.
Mas o medo não responde à lógica, e sim ao alívio imediato — e isso vira um ciclo.
O TOC é um transtorno que prende a pessoa num estado constante de alerta, culpa e dúvida.
E o tratamento não é aprender a ‘pensar positivo’,
é aprender a se relacionar de outro jeito com o medo, com a incerteza e com os próprios pensamentos.
Talvez, quando eu te conto sobre o TOC, não seja para que você compreenda tudo nos detalhes.
É mais um pedido silencioso para que você não diminua, não ironize e não tente simplif**ar algo que, para mim, é exaustivo.
Eu não espero que você saiba o que dizer.
Nem que encontre soluções.
Às vezes, o que mais ajuda é não transformar isso em piada, defeito ou exagero.
O TOC não resume quem eu sou,
mas atravessa a forma como eu penso, sinto e ajo no dia a dia.
E quando alguém consegue escutar isso com respeito sem pressa, sem julgamento, sem respostas prontas, o peso já não f**a tão insuportável.”
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Psicóloga & Supervisora Clínica
Especialista em Terapia Cognitivo-comportamental
Atendimento On-line