22/07/2022
Dom João VI (1767 - 1826), Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Pintura de José Leandro de Carvalho, 1818. Museu Histórico Nacional
Nunca antes um monarca tinha atravessado o Atlântico, nunca antes um império europeu tivera uma capital fora da Europa, nunca antes um rei fora coroado nas Américas. Tantos "nunca antes" devem-se sobretudo a D. João VI. Entre 1808 e 1821 viveu no Rio de Janeiro e nada ficou igual.
D. João VI, chegou ao Brasil como Príncipe-Regente, em 1808; e foi aclamado Rei, em 1818; e assentou as bases de um grande Império luso-brasileiro; e que aqui teria permanecido até o fim de seus dias, se as circunstâncias lho tivessem permitido.
Entre outros, fizeram justiça a D. João VI historiadores sérios e conceituados como Oliveira Lima, Pandiá Calógeras e Hélio Vianna.
Na realidade, D. João, Príncipe-Regente e depois Rei, soube transformar em apenas 13 anos um Brasil vice-Reino, que encontrou provinciano e acanhado em 1808, num Reino-Unido a Portugal
Quando Dom João VI elevou o Brasil a categoria de Reino em 1815. vemos a visão desde o Tempo de Dom Sebastião que na sua aventura na África, tinha a ambição de se declarar Imperador do Atlântico. Em 1738, Dom João V seria Imperador do Ocidente, mas na verdade foi Dom João VI que se tornou Imperador do Brasil, pois no Tratado de 1825 em que Portugal reconhecia a independencia do Brasil, Dom João VI foi reconhecido com o título Honorífico de Imperador Dom João I do Brasil"
Durante sua estadia no Brasil (1808-1821), D. João VI ergueu as seguintes instituições:
- Banco do Brasil
- Erário Régio
- Academia Militar
- Arsenal de Marinha
- Real Fábrica de Pólvora
- Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios
- Real Fábrica de Ferro de São João do Ipanema
- Companhia de Seguros Boa Fé
- Fábrica de Ferro do Morro do Gaspar Soares
- Administração Geral dos Correios
- Museu Nacional
- Biblioteca Nacional
- Provedoria de Saúde
- Junta Vacínica da Corte
- Escola de Cirurgia da Bahia
- Escola de Anatomia, Cirurgia e Medicina do Rio de Janeiro
"O pensamento da fundação dum Império no vasto território brasileiro é muito anterior à nossa independência política. Parece que logo depois da restauração da Monarquia portuguesa, quando Dom João IV se via assoberbado de dificuldades, surgiu a idéia de Transferência da Corte para o Brasil. O certo é que o Rei fez de seu primogênito Dom Teodósio, Príncipe do Brasil, dando como apanagio do herdeiro da Dinastia o nome da grande colônia Lusa.
Também depois do terremoto que quase destruiu Lisboa em 1755, se pensou nessa translação. Mas antes dessa última data, em 1738, D. Luís Cunha, que foi um dos grandes estadistas de Portugal, na sua "Carta a Marco Antônio" dava a D. João V esses conselhos sem rebuços: "No caso da transferência da corte para o Brasil, torna-se-ia necessária uma completa demarcação da América, o Oiapoque ao Prata deveriam ser os limites do Império, e pelo sertão ao Paraguai até a lagoa dos Saraies e dali lançando uma linha divisória até o Rio Madeira." Para essa missão Luís da Cunha queria a ajuda dos Jesuítas Portugueses, que expandiriam as missões até os limites do Vice Reino do Peru e ao Chile.
O Sonho Imperial de Luís da Cunha era na verdade um tanto desmesurado, pois fixando o domínio português nessas dimensões iria abalar a soberania da Espanha no Peru. O homem de Estado Luso não hesitava em desmembrar a metrópole em troca de novos territórios, sugerindo vender o Algarves em troca do Estreito de Magalhães. Concluía propondo a mudança da corte nos seguintes termos: "Melhor é pois, residir onde está a força e a abundância do que onde está a necessidade e a falta de Segurança"
Foi Luís da Cunha, profeta, veio o tempo de insegurança com a Invasão de Junot a Portugal, e o Principe Regente Dom João transferiu o estado Português para o Brasil em 1808. Segundo propunha o estadista Luso do Século XVIII, assim que muda-se para o vasto território brasileiro, o Rei de Portugal deveria tomar o título de Imperador do Ocidente.
Esse pensamento imperial norteou a visão do Príncipe Regente Dom João no Rio de Janeiro. Diz Maria Graham que falando com o Conde da Barca, declarou que Dom João desejava fundar um Novo Império na América Portuguesa. Fez o Próprio Príncipe Regente confissão com que do Brasil, declarou guerra a França de Napoleão: "A Corte Levantará sua voz no seio do Novo Império que ela veio Criar"
Assim quando Dom João VI elevou o Brasil a categoria de Reino em 1816, vemos a visão Imperial de Luís da Cunha. Desde de o Tempo de Dom Sebastião que na sua louca aventura na África, tinha a ambição de se declarar Imperador do Atlântico. Em 1738, Dom João V seria Imperador do Ocidente, mas na verdade foi Dom João VI que se tornou Imperador do Brasil, pois no Tratado de 1825 em que Portugal reconhecia a independencia do Brasil, Dom João VI foi reconhecido com o título Honorífico de Imperador Dom João I do Brasil"
Fonte: Segredos e Revelações da História do Brasil. Por Gustavo Barroso e Pedro Calmon