06/05/2026
Cinco sentidos, um amor: meu puerpério
Há muito tempo não me sentia tão insegura e temerosa quanto tenho me sentido nesses últimos trinta dias… poucas são as certezas quando você vivencia o puerpério. A minha maior clareza é que estou desenvolvendo essa habilidade, aprendendo essa nova atribuição, a de ser mãe.
Ao receber meu filho nos braços, iniciei uma experiência sensorial imersiva nunca antes sentida, exaustiva e ao mesmo tempo maravilhosa.
Cada órgão do sentido está sendo aguçado como se me desafiasse a experimentar as melhores sensações do mundo!
O TATO foi estimulado pelo melhor toque, o das mãozinhas pequeninas buscando instintivamente as mamas, naquele momento especial em que eu e meu filho formamos um vínculo eterno de amor.
A AUDIÇÃO é desafiada por novos sons que ecoam em nosso lar, sendo que o melhor deles é, sem dúvida, o som da respiração do meu filho.
O PALADAR reconheceu um alimento ancestral, um líquido dourado, vital para inúmeras espécies.
Descobri que o melhor sabor é o do leite materno.
O OLFATO recebe aromas únicos, alguns sutis, outros intensos, e a constatação de que o cheiro mais agradável do mundo é o do cangote do meu filho!
A VISÃO contempla demoradamente meu pequeno Timóteo ganhando peso, enchendo as bochechas, formando dobrinhas, sua boquinha perfeita e seus olhos expressivos. “Existe alguém mais bonito” do que meu filho? Ele é a imagem mais bela que meus olhos podem enxergar!
E, no fim, percebo que o puerpério é isso: um convite a sentir tudo de forma mais intensa. Entre o medo e o amor, entre o cansaço e o encantamento, sigo me permitindo viver cada detalhe. Porque, em cada um dos meus sentidos, existe agora uma nova forma de amar — mais profunda, mais inteira, só minha.