12/10/2025
Carta aberta:
Demorei pra voltar.
E antes mesmo de você partir, papai, eu já sentia o tempo pedindo silêncio.
Foram meses intensos, de luta, de cuidado, de amor — e de uma despedida despreparada.
Eu estive com você de todos os jeitos que consegui: com presença, com afeto, com mãos dadas, com a esperança que nunca soltei.
E agora eu me pego tentando entender aquilo que a gente não entende, pelo menos não nesse cenário, nesse recomeço…
Faz um mês e alguns dias da sua partida, mesmo sentindo que o tempo parou. De alguma forma, ainda sigo tentando acordar desse pesadelo — mas, também, sigo tentando aprender a viver.
A viver de outro modo, com o coração cheio de saudade e a alma buscando novos contornos pra continuar.
Hoje, olho as nossas fotos e te carrego de outras formas.
Vejo as nossas semelhanças, as marcas de um tempo que eu queria que tivesse parado, pra continuar tendo você comigo.
Mas como a vida seguiu — mesmo sem pedir permissão — eu tento te eternizar de outros jeitos: nas memórias, nos gestos, na forma como tento ser um pedaço do que aprendi com você.
Eu sumi porque precisei aprender a respirar de novo.
Mas agora volto — com calma, com respeito ao que vivi, e com você dentro de mim.
Como psicóloga, aprendi que o luto é o processo de continuar existindo, mesmo quando algo essencial nos falta.
Como filha, aprendo agora que o amor não termina — ele só muda de forma.
E é assim que eu sigo: um dia de cada vez, entre o choro e a coragem, entre o vazio e a fé, entre o fim e o recomeço.
Levo você comigo, papito.
Em tudo. Sempre. Te amo! 🤍