18/12/2020
Nesse fim de ano quero mesmo é falar sobre a esperança. Atravessamos um ano duro, fomos todos convocados para a introversão, para o recolhimento. Perdemos momentaneamente alguns de nossos principais "respiros" e tivemos a chance de ter uma conversa mais íntima com a nossa alma. Com as restrições diminuímos as possibilidades de desviar o nosso olhar dos nossos incômodos. Tivemos que f**ar na companhia deles. Não foi gostoso (nem um pouco), mas certamente há um sentido maior para o que vivemos. Como junguiana, acredito na função compensatória da psique, que muitas vezes se impõe na necessidade de reequilibrar algumas coisas.
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Trabalhei bastante, fiz o que deu, deixei muitas coisas de lado... 2020 foi o ano do "possível". Me senti mais do que nunca muito próxima dos meus pacientes-parceiros. Fiquei muitas vezes em silêncio, senti que tinha pouco a dizer. Fui obrigada a conhecer e a respeitar mais os meus limites. Tive que dizer alguns "nãos" em alto e bom som. Fácil não foi, não está sendo, mas foi necessário. Mas, ainda assim, sempre que possível, permaneci lá, disponível, atenta e presente, aguardando por ventos melhores.
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Aliás, é interessante pensar que um bom velejador tem que ser, entre outras coisas, um bom conhecedor dos ventos. Não adianta brigar com o vento, seja pela falta ou excesso, mas precisa ter sabedoria, aprender o que fazer diante das condições apresentadas pela natureza. E quando a tempestade chega, muitas vezes o melhor a fazer é recolher as velas e deixar a fúria do vento passar. Além disso, precisa de outras inúmeras qualidades que desconheço, conhecer bem os equipamentos e recursos da própria embarcação, assim como as próprias aptidões e potências individuais...
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E o que esperar para o próximo ano? Não faço a menor ideia! Podemos tentar prever, mas não alterar a condição do tempo. Posso apenas dizer que enquanto aguardamos melhores condições de tempo, temperatura e pressão podemos ir preparando a terra, criando uma atmosfera favorável para receber aquilo que desejamos, respeitando sempre o tempo que não nos pertence... E enquanto isso, vamos desejando por "bons" sonhos para a gente sonhar...
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