30/10/2025
Na psicologia histórico-cultural, o desenvolvimento humano é sempre mediado por signos e ferramentas culturais. A linguagem, para Vygotsky, é um dos principais mediadores da consciência, permitindo a objetivação das experiências e a construção de sentidos compartilhados.
Se o silêncio é imposto, impede o sujeito de apropriar-se da própria experiência e transformá-la em elaboração psíquica.
O que Lorde propõe, portanto, é que a palavra — mesmo atravessada pelo medo — é condição de sobrevivência e criação.
O silêncio pode ser compreendido como bloqueio no processo de mediação simbólica, pois limita a possibilidade de o sujeito se apoiar em outros para elaborar sua própria consciência.
Para a clínica, isso signif**a que a escuta não pode se restringir ao nível individual. É preciso considerar os silêncios como atravessados por relações de poder; de gênero; raça; sexualidade e classe,que moldam os limites do que pode ou não ser dito.
Trabalhar o silêncio, nesse sentido, não é forçar a fala, mas criar condições de segurança e reconhecimento para que a palavra possa emergir como ferramenta de reconstrução da subjetividade.