01/09/2020
Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
Refletir sobre o suicídio é refletir sobre a vida.
Atualmente vemos que frequentemente se aborda o suicídio pelo viés da saúde, ou seja, destacando os fatores de risco, os de proteção etc, que são aspectos importantes da prevenção. Mas não podemos parar por aí. Se entendemos que se trata de fenômeno multifatorial, precisamos ampliar o olhar para muito além da epidemiologia. Pois é um fato que os suicídios podem estar muitas vezes associados a doenças mentais, mas isso não nos tira a responsabilidade de pensar sobre a época em que essas mesmas doenças mentais ocorrem.
Precisamos ampliar o olhar para o contexto social em que têm ocorrido os suicídios e para os sujeitos que atualmente mais têm buscado nesse ato extremo e definitivo um basta para sua dor psíquica intensa (adolescentes e idosos). Nesse sentido, se o suicídio é tratado como tabu, com ares de hesitação e de receio não é apenas pelo fato de ser dolorido e violento (para quem f**a). É também pelo seu caráter de evidenciar que os modos de relação em sociedade muitas vezes não são dos mais empáticos (como apontam os sociólogos). Nossos jovens (um dos grupos em que mais têm ocorrido suicídios) estão num mundo no qual os indivíduos se sentem muitas vezes abandonados, solitários, em desamparo. As relações de competitividade e o espírito de “ser empresário de si mesmo” nos faz diariamente nos colocarmos em posição de competidores numa gama infinita de lutas. Cobramos desde muito cedo dos adolescentes que se comportem como empreendedores de si, de seu futuro, que sejam bilíngues, trilíngues, poliglotas antes de atingir a maioridade. Que sejam campeões de disputas que muitas vezes não fazem sentido para eles. No outro lado, o jovem periférico, alheio a essas possibilidades de empreender a si mesmo como ser competitivo (no sentido de acesso a formação em idiomas, universidades etc) pode se ver sem esperança.
Prevenir o suicídio (entre outras ações frequentemente discutidas) é admitir que refletir sobre este tema é refletir sobre o sentido de nossas vidas, sobre como temos lidado com nossa signif**ação existencial e sobre como nos colocamos frente às nossas angústias. É ainda refletir sobre o quanto nos dispomos a estar, de fato, junto, quando o outro ao nosso lado diz “estou sofrendo”.
Ao longo desse mês haverão mais postagens com essa temática.