05/12/2025
Há silêncios que parecem prudentes, mas que, na verdade, vão enchendo o peito de peso. Você acredita que ao não dizer nada está evitando um problema, preservando a relação, impedindo que algo piore. Porém, o que cresce por dentro é um conflito ainda maior: o de trair a si mesmo para poupar o outro. A palavra engolida vira nó, e o sentimento abafado se transforma em distância emocional. Evitar o confronto externo cria tempestades internas que você precisa enfrentar sozinho.
Com o tempo, aquilo que você não diz começa a mudar sua postura, sua energia, sua forma de olhar. E a outra pessoa, sem entender o que acontece, passa a interpretar o seu silêncio como indiferença, frieza ou até desinteresse. Nasce justamente o conflito que você tentou evitar. Nada pesa mais do que carregar verdades que precisavam ter sido ditas. A sinceridade, mesmo desconfortável, é uma ponte; o silêncio, quando usado como escudo, vira muro. E muros não protegem isolam.
Aprender a falar é aprender a preservar. Dizer o que importa, com firmeza e clareza, não é provocar briga; é impedir que ela cresça no escuro. Conflitos não desaparecem só porque você finge que não existem. Eles se reconfiguram, ganham novas formas e cobram pedágio emocional. A paz verdadeira não nasce do silêncio forçado, mas da coragem de se posicionar. E é essa coragem que impede que você se perca tentando poupar os outros.
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