Marcia Britto de Macedo Soares - Médica Psiquiatra

Marcia Britto de Macedo Soares - Médica Psiquiatra Consultório Médico - Psiquiatria - CRM: 62264-SP / RQE 78546
Estudou na Faculdade de Medicina-USP,

Receber um diagnóstico tardiamente pode despertar sentimentos muito diferentes. Para alguns, surge alívio ao finalmente ...
30/04/2026

Receber um diagnóstico tardiamente pode despertar sentimentos muito diferentes. Para alguns, surge alívio ao finalmente compreender dificuldades que pareciam sem explicação. Para outros, podem aparecer tristeza, raiva, frustração ou medo do estigma.

Não existe reação certa. Cada pessoa precisa de tempo para elaborar o que essa descoberta significa em sua própria história.

Na psiquiatria, o diagnóstico não deve ser visto como um rótulo, mas como uma ferramenta clínica. Ele organiza sintomas, ajuda a entender padrões de funcionamento e orienta escolhas terapêuticas mais precisas.

Ao mesmo tempo, é comum revisitar o passado e pensar: “Se eu soubesse antes, minha vida teria sido diferente?”. Esse movimento é natural, mas permanecer preso apenas ao que poderia ter sido pode impedir a construção do que ainda pode ser.

Mais importante do que olhar para trás é perguntar: o que posso fazer com essa informação agora?

Com acompanhamento adequado, autoconhecimento e estratégias consistentes, o diagnóstico deixa de ser um peso e passa a ser um ponto de partida para uma vida com mais clareza, autonomia e saúde mental.

Dra. Marcia B. Macedo Soares
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Com a volta da estética da magreza extrema, “não sentir fome” passa a ser visto por algumas pessoas como sinal de discip...
28/04/2026

Com a volta da estética da magreza extrema, “não sentir fome” passa a ser visto por algumas pessoas como sinal de disciplina, quase uma virtude. Nesse contexto, surge o termo agonorexia: uma forma disfuncional de relação com a comida associada ao uso inadequado de medicamentos para emagrecimento. Embora não seja um diagnóstico formal reconhecido pela psiquiatria ou endocrinologia, a palavra tenta nomear um fenômeno crescente: a supressão artificial da fome como estratégia de adequação a padrões estéticos.

O problema não está apenas no uso desses fármacos, mas no excesso, na automedicação e na motivação por trás desse uso. Ao interferirem em mecanismos neuroendócrinos relacionados à saciedade e ao metabolismo, esses medicamentos podem provocar efeitos adversos importantes, como náuseas, redução excessiva da ingestão alimentar, perda de massa muscular e deficiências nutricionais quando usados sem acompanhamento adequado. Em alguns casos, após a interrupção, pode haver aumento importante do apetite e recuperação do peso perdido.

É importante olhar para a saúde e o bem-estar antes de pensar em estética. Emagrecimento, por si só, não é sinônimo de saúde. Mudanças sustentáveis no estilo de vida, sim. Se a relação com a comida se tornou fonte de angústia, controle excessivo ou culpa, vale buscar apoio profissional.

Referências

1. Wilding JPH et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Med. 2021;384:989-1002.
2. Garvey WT et al. American Association of Clinical Endocrinology Clinical Practice Guideline for Medical Care of Patients with Obesity. Endocr Pract. 2022.

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Uma alternativa em estudo para o tratamento da depressão maior, especialmente nos casos resistentes às abordagens conven...
23/04/2026

Uma alternativa em estudo para o tratamento da depressão maior, especialmente nos casos resistentes às abordagens convencionais — como antidepressivos, psicoterapia e outras estratégias baseadas em evidências — é a estimulação cerebral profunda (deep brain stimulation).

A técnica consiste no implante de eletrodos em áreas específicas do cérebro, conectados a um dispositivo que fornece impulsos elétricos controlados. O objetivo é modular circuitos neurais envolvidos na regulação do humor. Por esse motivo, algumas pessoas a comparam a um “marcapasso cerebral”, embora essa analogia deva ser usada com cautela.

Estudos clínicos e revisões recentes sugerem que a estimulação cerebral profunda pode beneficiar uma parcela de pacientes com depressão grave e refratária, com redução significativa dos sintomas em alguns casos. No entanto, os resultados ainda são heterogêneos, e a técnica permanece em desenvolvimento para essa indicação.

Entre os principais desafios estão a definição dos pacientes com maior chance de resposta, a escolha mais precisa dos alvos cerebrais, o ajuste individualizado dos parâmetros de estimulação e a necessidade de métodos mais objetivos para monitorar sintomas e evolução clínica.

Além disso, os mecanismos neurobiológicos envolvidos ainda não são totalmente compreendidos, o que reforça a necessidade de mais pesquisas antes de uma adoção mais ampla.

Ainda assim, os avanços recentes apontam para uma estimulação cerebral profunda cada vez mais precisa e personalizada, podendo ampliar no futuro as opções terapêuticas para pessoas com depressão persistente e resistente ao tratamento.

Referência Johnson KA, Okun MS, Scangos KW, et al. Deep brain stimulation for refractory major depressive disorder: a comprehensive review. Mol Psychiatry. 2024;29:1075–1087. doi:10.1038/s41380-023-02394-4

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Ansiedade, estresse e depressão: estudos recentes sugerem que a exposição a ambientes com m**o e umidade pode se associa...
21/04/2026

Ansiedade, estresse e depressão: estudos recentes sugerem que a exposição a ambientes com m**o e umidade pode se associar ao aumento de sintomas de alguns transtornos mentais.

Essa relação parece ser multifatorial. Por um lado, componentes biológicos — como partículas e substâncias liberadas por fungos — podem contribuir para respostas inflamatórias no organismo, um mecanismo ainda em investigação. Por outro, fatores psicológicos e ambientais desempenham um papel importante, como o estresse crônico e a sensação de insegurança ao viver em um ambiente percebido como insalubre.

Além disso, condições de moradia frequentemente se relacionam com outros determinantes de saúde, como aspectos socioeconômicos, o que torna essa associação ainda mais complexa.

O espaço em que vivemos influencia diretamente o bem-estar mental. Medidas simples, como melhorar a ventilação e controlar a umidade, podem ajudar a reduzir esses riscos, especialmente em grupos mais vulneráveis, como idosos e pessoas com histórico de ansiedade ou depressão.

Ainda assim, é fundamental buscar avaliação profissional para uma compreensão individualizada dos sintomas e definição do tratamento adequado.

Referências
1. Zhang Z, Liu Y, Chen X, et al. The impact of mold exposure on anxiety symptoms in older adults: a moderated mediation model based on CLHLS. Ecotoxicol Environ Saf. 2024;281:116967. doi:10.1016/j.ecoenv.2024.116967.

2. Gatto MR, Adamkiewicz G, Fabian MP, et al. A state-of-the-science review of the effect of damp- and mold-affected housing on mental health. Environ Health Perspect. 2024;132(5):56001. doi:10.1289/EHP14341.

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A sensação de não conseguir ficar parado, acompanhada de uma inquietação interna intensa: é assim que muitos pacientes d...
16/04/2026

A sensação de não conseguir ficar parado, acompanhada de uma inquietação interna intensa: é assim que muitos pacientes descrevem a acatisia. Trata-se de um quadro caracterizado por inquietação motora e uma sensação intensa de desconforto interno, geralmente provocado por medicamentos — especialmente aqueles que bloqueiam a dopamina, como os antipsicóticos.

Em muitos casos, pode ser confundida com ansiedade ou com piora do quadro psiquiátrico de base, o que contribui para atrasos no diagnóstico e no manejo adequado.

A acatisia também pode ocorrer após redução ou interrupção da medicação — especialmente em contextos de retirada —, o que pode dificultar ainda mais seu reconhecimento clínico.

Além das manifestações motoras, como balançar as pernas, caminhar de um lado para o outro ou incapacidade de permanecer sentado, há frequentemente sintomas subjetivos marcantes, como angústia, irritabilidade e uma sensação persistente de urgência interna.

O manejo envolve acompanhamento profissional, com revisão da medicação em uso, possíveis ajustes de dose, troca do fármaco ou introdução de tratamentos específicos para alívio dos sintomas. Evitar a automedicação e a interrupção abrupta de psicofármacos é fundamental, pois essas condutas podem agravar o quadro.

Referência:
Pringsheim T et al. The Assessment and Treatment of Antipsychotic-Induced Akathisia. Canadian Journal of Psychiatry, 2018.

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Diariamente, inúmeras mulheres são afetadas por experiências que evidenciam a desigualdade de gênero — como salários men...
14/04/2026

Diariamente, inúmeras mulheres são afetadas por experiências que evidenciam a desigualdade de gênero — como salários menores, sobrecarga de cuidado e o medo da violência. Além dessas formas mais explícitas, há também manifestações mais sutis de discriminação que igualmente impactam a saúde mental.

Um estudo publicado em 2020 investigou o impacto da chamada “discriminação de gênero percebida” na saúde mental. Os resultados mostraram que mais de 1 em cada 10 mulheres relatou ter vivenciado esse tipo de discriminação. Entre essas mulheres, observou-se maior prevalência de sintomas depressivos.

Embora essas experiências sejam frequentemente invisíveis para quem está de fora — e, muitas vezes, naturalizadas por quem as vivencia —, seu impacto tende a ser cumulativo. Ou seja, exposições repetidas à discriminação de gênero estão associadas a um maior risco de adoecimento psíquico.

Nesse contexto, o sofrimento mental pode ser compreendido também como uma resposta a ambientes marcados por invalidação e desigualdade, e não apenas como resultado de fatores biológicos individuais.

Diante disso, torna-se fundamental o fortalecimento de políticas públicas de proteção, bem como o acesso a um cuidado em saúde mental que considere as experiências sociais das mulheres.

Referência (Vancouver): Vigod SN, Rochon PA. The impact of gender discrimination on a woman’s mental health. doi:10.1016/j.eclinm.2020.100605.

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Durante o tratamento do transtorno bipolar (TB) uma dúvida bastante comum, é: por que ainda podem ocorrer oscilações de ...
09/04/2026

Durante o tratamento do transtorno bipolar (TB) uma dúvida bastante comum, é: por que ainda podem ocorrer oscilações de humor mesmo quando a medicação está sendo usada corretamente?

O TB é uma condição caracterizada por episódios de depressão e de mania ou hipomania. O objetivo do tratamento é reduzir a frequência, a intensidade e o impacto desses episódios ao longo do tempo, o que nem sempre significa a ausência completa de oscilações.

Mesmo com o tratamento adequado variações de humor podem acontecer. Isso não significa necessariamente que a medicação não esteja funcionando, podem ser necessários ajustes ao longo do tempo.

Em uma parcela de pacientes, os antidepressivos - quando usados no tratamento dos episódios depressivos — podem induzir estados mistos ou ciclagem para a mania ou hipomania. Por esse motivo, diretrizes internacionais recomendam que os antidepressivos sejam usados com cautela e associados a estabilizadores de humor. O risco deve ser avaliado individualmente e o acompanhamento médico regular é fundamental.

Ainda, parte das oscilações pode estar relacionada ao próprio curso do transtorno bipolar, e não ao efeito das medicações em si.

Um dos princípios mais importantes do tratamento do TB é a individualização. Se ocorrerem mudanças no humor durante o tratamento, o mais importante é não interromper a medicação por conta própria e conversar com seu psiquiatra. Ajustes fazem parte do tratamento e são fundamentais para a busca de uma maior estabilidade do humor, melhor funcionamento global e qualidade de vida.

Referências
Oliva V et al. Switch to mania after acute antidepressant treatment for bipolar depression: a systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. doi:10.1016/j.eclinm.2025.103413.

Jefsen OH et al. Revisiting the association between treatment with antidepressants and mania: a nationwide within-individual study of patients with bipolar disorder. doi:10.1111/bdi.13353

Keramatian K et al. The CANMAT and ISBD guidelines for the treatment of bipolar disorder: summary and a 2023 update of evidence. doi:10.1176/appi.focus.20230009

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A perimenopausa é uma fase marcada por mudanças físicas e emocionais. Mas por que algumas mulheres parecem sofrer mais n...
07/04/2026

A perimenopausa é uma fase marcada por mudanças físicas e emocionais. Mas por que algumas mulheres parecem sofrer mais nesse período?

Um estudo populacional recente mostrou que mulheres com TDAH apresentam maior intensidade de sintomas perimenopausais e maior prevalência de quadros graves quando comparadas a mulheres sem o transtorno. A diferença foi especialmente evidente entre 35 e 39 anos, faixa etária em que os sintomas já se mostravam mais intensos nesse grupo.

Os achados reforçam que as alterações emocionais dessa fase podem refletir não apenas mudanças hormonais, mas também a interação com condições neuropsiquiátricas pré-existentes.

Esse conhecimento é importante porque o reconhecimento do TDAH em mulheres adultas pode ajudar a orientar estratégias terapêuticas mais adequadas, reduzindo impacto funcional e melhorando a qualidade de vida durante a transição menopausal.

Referência Smári UJ, Valdimarsdottir UA, Wynchank D, de Jong M, Aspelund T, Hauksdottir A, et al. Perimenopausal symptoms in women with and without ADHD: a population-based cohort study. Eur Psychiatry. 2025;68(1):e133. doi:10.1192/j.eurpsy.2025.10101

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05/04/2026

– FELIZ PÁSCOA!

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Refrigerantes, energéticos e diversos tipos de bebidas adoçadas com açúcar fazem parte da rotina de muitos adolescentes....
31/03/2026

Refrigerantes, energéticos e diversos tipos de bebidas adoçadas com açúcar fazem parte da rotina de muitos adolescentes. No entanto, quando o consumo dessas bebidas é frequente, não apenas a saúde física pode ser afetada, mas também a saúde mental.

A adolescência é uma fase em que muitos transtornos ansiosos começam a se manifestar, em meio a transformações hormonais, pressões sociais e ao processo de construção da identidade. Além dos fatores psicológicos e ambientais, os padrões alimentares também podem influenciar o bem-estar emocional.

O artigo “Sugar-Sweetened Beverage Consumption and Anxiety Disorders in Adolescents: A Systematic Review and Meta-Analysis”analisou a possível relação entre o consumo de bebidas açucaradas e transtornos de ansiedade. Os pesquisadores observaram que adolescentes que consomem maiores quantidades dessas bebidas tendem a apresentar níveis mais elevados de ansiedade.

No entanto, essa associação não significa necessariamente uma relação de causa direta. A ansiedade é um fenômeno multifatorial e pode ser influenciada por diversos fatores, como privação de sono, sedentarismo, exposição excessiva a telas, estresse escolar e contexto familiar.

Ainda assim, a alimentação pode contribuir para a vulnerabilidade emocional ou para o agravamento de quadros ansiosos. A redução do consumo de bebidas açucaradas pode trazer benefícios não apenas para a saúde metabólica, mas também potencialmente para a saúde mental.

Referência: Khaled K, Abdulbaki N, Almilaji O, Casey C, Tsofliou F. Sugar-Sweetened Beverage Consumption and Anxiety Disorders in Adolescents: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Human Nutrition and Dietetics. 2026. doi:10.1111/jhn.13361.

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Pessoas com TAB podem ter mais enxaqueca?O primeiro sinal de que uma crise está por vir nem sempre é silencioso, mas ain...
26/03/2026

Pessoas com TAB podem ter mais enxaqueca?

O primeiro sinal de que uma crise está por vir nem sempre é silencioso, mas ainda assim passar despercebido.

A enxaqueca é um sintoma relatado por uma parcela significativa de pacientes com transtorno afetivo bipolar (TAB). Mas por que essa associação ocorre?

No estudo “Cross-prevalence of migraine and bipolar disorder”, cerca de 24,5% das pessoas com TAB também apresentaram enxaqueca, com prevalência maior no transtorno bipolar tipo II em comparação ao tipo I. 

Essa associação pode estar relacionada a mecanismos biológicos compartilhados, como alterações em neurotransmissores — especialmente serotonina e dopamina — que participam tanto da regulação do humor quanto dos mecanismos de modulação da dor. Disfunções nesses sistemas podem contribuir simultaneamente para a vulnerabilidade a crises de enxaqueca e para a instabilidade do humor.

Além disso, fatores como predisposição genética, alterações na excitabilidade neuronal, inflamação neurobiológica e maior sensibilidade ao estresse também são hipóteses estudadas para explicar por que pessoas com transtorno bipolar podem apresentar maior risco de enxaqueca.

Reconhecer essas conexões ajuda a ampliar o olhar clínico: sintomas físicos e emocionais muitas vezes não são independentes, mas diferentes manifestações de vulnerabilidades biológicas comuns.

E você, já percebeu como sintomas físicos e emocionais podem estar interligados?

Referência:

ORTIZ, Abigail; CERVANTES, Pablo; ZLOTNIK, Gregorio; VAN DE VELDE, Caroline; SLANEY, Claire; GARNHAM, Julie; TURECKI, Gustavo; O’DONOVAN, Claire; ALDA, Martin. Cross-prevalence of migraine and bipolar disorder. Bipolar Disorders, v. 12, n. 4, p. 397–403, 2010. DOI: 10.1111/j.1399-5618.2010.00832.x.

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