Marcia Britto de Macedo Soares - Médica Psiquiatra

Marcia Britto de Macedo Soares - Médica Psiquiatra Consultório Médico - Psiquiatria - CRM: 62264-SP / RQE 78546
Estudou na Faculdade de Medicina-USP,

Na psicologia, especialmente em abordagens expressivas e também na Gestalt-terapia, o desenho pode ser utilizado como fe...
26/05/2026

Na psicologia, especialmente em abordagens expressivas e também na Gestalt-terapia, o desenho pode ser utilizado como ferramenta para acessar emoções, conflitos e padrões de comportamento. Sentimentos difíceis de verbalizar muitas vezes aparecem simbolicamente em traços, formas e imagens.

Para as crianças, desenhar é uma importante forma de expressão emocional e comunicação. Os desenhos podem refletir medos, vínculos afetivos, percepções do ambiente e aspectos do desenvolvimento emocional.

Entre adultos, a prática do desenho e de outras formas de expressão artística pode estimular criatividade, concentração e regulação emocional, além de favorecer estados de relaxamento e bem-estar. Alguns estudos também sugerem redução dos níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse, após atividades artísticas.

O desenho terapêutico não exige técnica ou habilidade artística. O mais importante é o processo de expressão. Muitas vezes, aquilo que é difícil colocar em palavras consegue ganhar forma no papel.

Referência bibliográfica:

KAIMAL, Girija; RAY, Kendra; MUNIZ, Juan. Reduction of cortisol levels and participants’ responses following art making. Art Therapy, v. 33, n. 2, p. 74–80, 2016. DOI: 10.1080/07421656.2016.1166832.

Dra. Marcia B. Macedo Soares
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Alterações no sono, estresse, mudanças hormonais, consumo excessivo de álcool, cafeína e mudanças na rotina são reconhec...
21/05/2026

Alterações no sono, estresse, mudanças hormonais, consumo excessivo de álcool, cafeína e mudanças na rotina são reconhecidos como possíveis desencadeadores de oscilações de humor. Ainda assim, quem convive com o Transtorno Afetivo Bipolar sabe que nem sempre é possível identificar com clareza o motivo de uma descompensação.

Os episódios de mania, hipomania e depressão costumam surgir a partir da interação entre fatores biológicos, emocionais, ambientais e comportamentais. Essa relação, porém, varia bastante de pessoa para pessoa — e também pode mudar ao longo do tempo.

Estudos mostram que privação de sono, eventos estressantes, alterações hormonais, uso de antidepressivos em alguns contextos e interrupções na rotina podem atuar como fatores associados ao desencadeamento de episódios de humor. Ao mesmo tempo, muitas crises acontecem sem um gatilho evidente, o que pode gerar frustração e sensação de imprevisibilidade.

Por isso, além de reduzir a exposição a possíveis desencadeadores, o acompanhamento psiquiátrico e psicológico é importante para ajudar na identificação precoce de sinais de risco e na construção de estratégias de prevenção e estabilidade do humor.

Referência
Cordeiro, C. R.; Côrte-Real, B. R.; Saraiva, R. et al. Triggers for acute mood episodes in bipolar disorder: a systematic review. Journal of Psychiatric Research, v. 161, p. 237–260, 2023. DOI: 10.1016/j.jpsychires.2023.03.008.

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Meltdown é uma resposta involuntária a uma situação de sobrecarga física, emocional ou sensorial. Durante o episódio, oc...
19/05/2026

Meltdown é uma resposta involuntária a uma situação de sobrecarga física, emocional ou sensorial. Durante o episódio, ocorre uma perda temporária da capacidade de regular emoções e reações diante do excesso de estímulos.

O termo é frequentemente associado ao Transtorno do Espectro Autista e a outras formas de neurodivergência. No entanto, cada pessoa pode vivenciar essa experiência de maneira diferente. Algumas podem apresentar choro, irritabilidade, agitação ou impulsividade; outras podem manifestar bloqueio, dificuldade de comunicação e necessidade de se isolar.

As crises podem ser desencadeadas por barulhos intensos, luzes fortes, ambientes muito estimulantes, mudanças inesperadas na rotina, excesso de demandas ou situações de estresse prolongado.

Após o episódio, é comum surgir sensação de exaustão física e mental. Isso acontece porque o sistema nervoso foi exposto a um nível de sobrecarga que ultrapassou a capacidade de processamento e adaptação daquele indivíduo naquele momento.

Respeitar limites, compreender quais estímulos funcionam como gatilhos e adaptar o ambiente quando possível são medidas que ajudam a reduzir episódios de sobrecarga. Além disso, acompanhamento médico e psicológico podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias de regulação emocional e melhora da qualidade de vida.

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Você já se perguntou se é possível proteger o cérebro do declínio cognitivo?Embora não exista uma forma única ou garanti...
14/05/2026

Você já se perguntou se é possível proteger o cérebro do declínio cognitivo?

Embora não exista uma forma única ou garantida de prevenir a doença de Alzheimer, estudos recentes mostram que hábitos de vida saudáveis podem ajudar a reduzir o risco de declínio cognitivo e favorecer um envelhecimento cerebral mais saudável.

Pesquisas apontam que condições como hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, depressão e baixa estimulação cognitiva estão associadas a um maior risco de comprometimento cognitivo e demência.

Por outro lado, manter hábitos saudáveis pode contribuir para a preservação das funções cognitivas durante o envelhecimento. Nesse contexto, não se trata apenas de mudanças isoladas, mas da construção de um estilo de vida mais favorável à saúde cerebral.

A prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, o controle de fatores de risco cardiovasculares, a qualidade do sono e o acompanhamento adequado da saúde mental podem exercer um papel importante na proteção cognitiva. Além disso, atividades que estimulem o cérebro e a manutenção de vínculos sociais também parecem estar associadas a um menor risco de declínio cognitivo.

Mais do que buscar uma fórmula para evitar o Alzheimer, é importante compreender que cuidar da saúde cerebral ao longo da vida pode contribuir para mais autonomia, funcionalidade e qualidade de vida no envelhecimento.

Referências
1. Kivipelto M, Mangialasche F, Ngandu T. Lifestyle interventions to prevent cognitive impairment, dementia and Alzheimer disease. Nat Rev Neurol. 2018;14(11):653-666.
2. Livingston G, Huntley J, Sommerlad A, Ames D, Ballard C, Banerjee S, et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. Lancet. 2020;396(10248):413-446.

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Você já sentiu como se precisasse se esforçar muito mais do que os outros para conseguir se sentir produtiva?Muitas mulh...
13/05/2026

Você já sentiu como se precisasse se esforçar muito mais do que os outros para conseguir se sentir produtiva?

Muitas mulheres com TDAH vivenciam uma realidade semelhante: a necessidade de criar sistemas rígidos de organização para evitar serem vistas como desorganizadas ou improdutivas. Porém, essa autocobrança pode gerar um ciclo de sobrecarga mental, marcado por ansiedade, medo de errar e sensação frequente de fracasso.

Além dos sintomas do TDAH, existe a expectativa social de que mulheres sejam organizadas e capazes de administrar múltiplas demandas ao mesmo tempo. Isso faz com que muitas vivam em constante vigilância e exaustão.

Como o diagnóstico frequentemente acontece apenas na vida adulta, muitas passam anos tentando entender por que tarefas cotidianas parecem exigir esforço desproporcional. Não raramente, a compreensão dos fatores neurobiológicos envolvidos surge apenas após episódios de burnout ou dificuldades importantes na vida profissional, acadêmica ou afetiva.

Compreender que existe uma condição neurobiológica influenciando a forma de lidar com as demandas do cotidiano pode ajudar a reduzir culpa e sobrecarga. Isso não significa usar o TDAH como justificativa, mas desenvolver estratégias mais saudáveis e eficazes para manejar os sintomas.

Nesse processo, medicação adequada e acompanhamento psicológico podem ser fundamentais. Também é importante flexibilizar expectativas sociais irreais e desenvolver um olhar mais cuidadoso sobre a própria saúde mental.

Referências
1. Quinn PO, Madhoo M. Prim Care Companion CNS Disord. 2014;16(3):PCC.13r01596.
2. Young S, et al. BMC Psychiatry. 2020;20(1):404.

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Quando acompanhamos o fim da vida dos nossos pais, é comum sentir que uma parte importante da nossa própria história vai...
08/05/2026

Quando acompanhamos o fim da vida dos nossos pais, é comum sentir que uma parte importante da nossa própria história vai embora junto com eles. Simbolicamente, deixamos de ocupar apenas o lugar de filhos.

Com a morte da mãe, essa experiência pode ser ainda mais intensa, especialmente para quem nutria uma relação de amor e afeto com ela.

Mas nem todas as relações maternas são afetuosas. Quando houve distância emocional, conflitos ou ausência de cuidado, o luto também pode vir acompanhado de sentimentos ambíguos e difíceis de nomear.

Há ainda situações em que a morte pode trazer alívio — algo comum em casos de doenças prolongadas ou de sofrimento vivido tanto pela pessoa quanto pela família.

A morte de alguém próximo nos coloca diante da nossa própria finitude. Em datas simbólicas, como o Dia das Mães, a dor da perda pode se tornar ainda mais intensa.

Nesses momentos, é importante respeitar o que se sente. O luto não tem prazo definido, mas, quando não é elaborado, pode impactar a saúde mental. Se você está atravessando um luto difícil, buscar ajuda profissional pode ser importante para ressignificar essa relação e encontrar formas de seguir vivendo, mesmo com a ausência.

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Como pessoas neurodivergentes sonham.Você já teve a sensação de que seus sonhos são confusos, fragmentados ou difíceis d...
07/05/2026

Como pessoas neurodivergentes sonham.

Você já teve a sensação de que seus sonhos são confusos, fragmentados ou difíceis de lembrar? Para muitas pessoas neurodivergentes, essa experiência pode ser mais comum — e isso pode ter mais relação com a qualidade do sono do que com os sonhos em si.

A principal diferença não está na quantidade de sonhos, mas na forma como o sono acontece e como isso pode influenciar a experiência onírica. De acordo com a meta-análise Sleep in adults with autism spectrum disorder and ADHD, adultos com autismo e TDAH apresentam maior dificuldade para adormecer e pior qualidade de sono.

Esse padrão pode tornar o sono mais fragmentado, com despertares ao longo da noite. Como os sonhos mais vívidos costumam ocorrer durante a fase REM, interrupções frequentes podem fazer com que eles sejam menos contínuos e mais difíceis de lembrar.

No autismo, alguns estudos mostram maior proporção de sono leve (como o estágio N1), o que pode reduzir o tempo em fases mais profundas e estáveis. Já no TDAH, alterações como movimentos periódicos durante o sono podem ocorrer em parte dos pacientes, contribuindo para microdespertares e menor continuidade do descanso.

Como resultado, a experiência dos sonhos pode ser percebida como mais fragmentada ou com recordação irregular. Além disso, fatores individuais — como sensibilidade sensorial, processamento emocional e experiências do dia — também influenciam o conteúdo dos sonhos.

Assim, não é necessariamente a quantidade de sonhos que muda, mas as condições do sono, que podem afetar sua continuidade e lembrança.

Referência Lugo J, Fadeuilhe C, Gisbert L, et al. Sleep in adults with autism spectrum disorder and attention deficit/hyperactivity disorder: a systematic review and meta-analysis. European Neuropsychopharmacology. 2020.

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A epigenética mostra que nossos genes não funcionam como um roteiro imutável. Herdamos o DNA, mas a forma como certos ge...
05/05/2026

A epigenética mostra que nossos genes não funcionam como um roteiro imutável. Herdamos o DNA, mas a forma como certos genes são ativados ou silenciados pode ser influenciada ao longo da vida por fatores como alimentação, atividade física, sono, estresse, poluição e vínculos sociais.

Em outras palavras: genética importa, mas ambiente e estilo de vida também.

Isso ajuda a explicar por que duas pessoas com predisposição semelhante podem ter trajetórias de saúde diferentes. Também reforça uma mensagem importante: pequenas escolhas repetidas no tempo podem impactar o funcionamento do organismo.

Na saúde mental, por exemplo, experiências adversas crônicas podem aumentar vulnerabilidades, enquanto hábitos protetores e tratamento adequado podem favorecer maior equilíbrio biológico.

Epigenética não significa que “pensamento positivo muda genes” nem que tudo está sob controle individual. Significa apenas que a biologia é mais dinâmica do que imaginávamos.

Seu histórico influencia você, mas não define completamente seu futuro.

Referências:
1. Bird A. Perceptions of epigenetics. Nature. 2007;447:396-398.
2. Cavalli G, Heard E. Advances in epigenetics link genetics to the environment and disease. Nature. 2019;571:489-499.

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Receber um diagnóstico tardiamente pode despertar sentimentos muito diferentes. Para alguns, surge alívio ao finalmente ...
30/04/2026

Receber um diagnóstico tardiamente pode despertar sentimentos muito diferentes. Para alguns, surge alívio ao finalmente compreender dificuldades que pareciam sem explicação. Para outros, podem aparecer tristeza, raiva, frustração ou medo do estigma.

Não existe reação certa. Cada pessoa precisa de tempo para elaborar o que essa descoberta significa em sua própria história.

Na psiquiatria, o diagnóstico não deve ser visto como um rótulo, mas como uma ferramenta clínica. Ele organiza sintomas, ajuda a entender padrões de funcionamento e orienta escolhas terapêuticas mais precisas.

Ao mesmo tempo, é comum revisitar o passado e pensar: “Se eu soubesse antes, minha vida teria sido diferente?”. Esse movimento é natural, mas permanecer preso apenas ao que poderia ter sido pode impedir a construção do que ainda pode ser.

Mais importante do que olhar para trás é perguntar: o que posso fazer com essa informação agora?

Com acompanhamento adequado, autoconhecimento e estratégias consistentes, o diagnóstico deixa de ser um peso e passa a ser um ponto de partida para uma vida com mais clareza, autonomia e saúde mental.

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