12/09/2025
Sabemos, como psicanalistas, que é na Primeira Infância que se constroem as bases da psique humana, o alicerce da nossa personalidade.
Muitos psicanalistas se dedicaram à escuta de bebês e crianças, reconhecendo e legitimando os sofrimentos que podem acometê-los nessa fase da vida. Esses sofrimentos não são apenas de ordem biológica, mas também podem estar relacionados a fatores psíquicos e ambientais.
Nessa etapa, os cuidados oferecidos pelo ambiente familiar são cruciais e marcam as possibilidades de desenvolvimento. Entendemos que cada bebê nasce com seu “potencial herdado”, como nos dizia Winnicott, ou com suas “competências”, conhecidas hoje como capacidades inatas do bebê de se comunicar com o mundo.
Mas, como “um bebê não existe sozinho”, o ambiente familiar tem um papel fundamental no processo de desenvolvimento, ao mesmo tempo em que acontece a construção da parentalidade. Em outras palavras, pais e filhos se constroem mutuamente dentro de uma relação de trocas afetivas, sociais e culturais.
Pensar na Primeira Infância nos convoca a uma dimensão transdisciplinar, em que saúde, educação e assistência social devem ser articuladas a fim de promover ações integradas e políticas públicas não apenas para os pequenos, mas também para as famílias e instituições de cuidado, como creches, hospitais, abrigos, escolas de educação infantil e organizações da sociedade civil.
Em 2023 foi instituída em nosso país a Lei nº 14.617, que determina o mês de agosto como o Mês da Primeira Infância. Essa importante iniciativa do poder público visa à “promoção de ações de conscientização sobre a importância da atenção integral às gestantes e às crianças de até 6 (seis) anos de idade e às suas famílias, em todo o território nacional” (Art. 1º).
Embora apenas um mês receba a nomenclatura oficial, sabemos que cuidar dessa fase da vida é uma tarefa que deve ser feita o tempo todo — e por todos nós!