Dra. Polianna Souza

Dra. Polianna Souza CRM/SP109226.

Médica geriatra pela UNIFESP, formação em Cuidados Paliativos pela Asociacion Pallium Latinoamerica e em Oncogeriatria pela SIOG, área de atuação em Dor pela AMB e administradora do site Oncogeriatria Brasil.

Na rotina, o idoso com câncer atravessa múltiplas agendas e prontuários que não conversam.Quando ninguém integra, o plan...
06/03/2026

Na rotina, o idoso com câncer atravessa múltiplas agendas e prontuários que não conversam.

Quando ninguém integra, o plano vira um mosaico tecnicamente correto e clinicamente frágil.

Na oncogeriatria, a fragmentação do cuidado raramente decorre de negligência. Ela costuma ser estrutural:

Múltiplos pontos de entrada no sistema.

Agendas paralelas.

Decisões tomadas em tempos diferentes e

Registros que não se articulam.

O risco é a pessoa passar a ser conduzida como soma de partes.

O tumor aparece bem descrito em laudos e estadiamento. A funcionalidade, muitas vezes, é pouco mensurada. A cognição é inferida por impressão. O contexto social vira informação acessória. Cada especialista pode estar correto no seu campo e, ainda assim, a decisão final perder consistência quando falta síntese clínica.

Isso importa porque tumor, função, cognição, sintomas e rede de suporte não caminham separados.

Uma estratégia pode ser razoável ou inadequada dependendo da reserva funcional. Uma toxicidade esperada pode signif**ar perda funcional duradoura em quem já estava no limite. Um plano tecnicamente adequado pode ser inviável sem suporte para adesão, transporte ou manejo de efeitos adversos.

O Manual de Recomendações de Oncogeriatria da SBGG (Sociedade Brasileira Geriatria Gerontologia) reforça que a avaliação ampla existe para orientar escolhas proporcionais e seguras. As Linhas de Cuidado do Ministério da Saúde destacam a necessidade de coordenação e integração de informações na rede. No cotidiano, isso precisa se materializar em alguém assumindo a síntese.

A pergunta é operacional: quem, no seu serviço, integra o cuidado, registra objetivos, consolida vulnerabilidades e alinha riscos com a equipe?

Quando esse papel não está claro, o cuidado perde coerência e a pessoa paga o custo da desorganização.

No seu serviço, quem costuma exercer essa integração?

Mulheres longevas com câncer nem sempre chegam apenas com um diagnóstico oncológico. Muitas chegam com uma história de v...
04/03/2026

Mulheres longevas com câncer nem sempre chegam apenas com um diagnóstico oncológico. Muitas chegam com uma história de vida em que a dor foi minimizada, o autocuidado foi adiado e a rede de apoio nem sempre sustenta o plano que a equipe propõe.

No artigo que publiquei no LinkedIn, explico como idade e gênero se combinam para influenciar comunicação e decisão terapêutica; e como a oncogeriatria ajuda a tornar o cuidado mais preciso, seguro e alinhado ao que a paciente valoriza.

Artigo completo no meu LinkedIn (link na bio).

Na mulher idosa com câncer, o risco nem sempre é erro técnico.É fragilidade subestimada, dor subavaliada e autonomia tro...
02/03/2026

Na mulher idosa com câncer, o risco nem sempre é erro técnico.

É fragilidade subestimada, dor subavaliada e autonomia trocada por decisões do entorno.

Na prática, esses padrões aparecem discretamente e costumam se somar.

O primeiro é a fragilidade que não se impõe à primeira vista. Muitas mulheres mantêm funcionamento aparente às custas de adaptação, esforço contínuo e rede informal, mesmo com baixa reserva fisiológica.

A robustez presumida pela aparência pode levar a decisões desalinhadas do risco real. Documentar linha de base funcional e vulnerabilidades por avaliação estruturada muda a leitura clínica e a proporcionalidade do plano.

O segundo é a dor subcomunicada ou subvalorizada. Em ambientes de urgência e também no seguimento oncológico, há evidências de diferenças por s**o no manejo da dor.

Na rotina, isso pode se traduzir em analgesia insuficiente, atribuição imprecisa do sintoma ou atraso em ajustar o esquema. Quando a dor não é mensurada de forma sistemática e repetida, a consequência costuma ser piora funcional evitável.

O terceiro é a autonomia substituída por decisões do entorno. A participação familiar é frequentemente necessária, mas o problema surge quando ela ocupa o lugar da própria pessoa sem verif**ação adequada de compreensão, preferência e capacidade decisória.

Decisão compartilhada exige método, registro e alinhamento multiprofissional. Sem isso, a vontade da paciente pode se diluir em pressões externas.

A questão não é se tratamos mais ou menos as mulheres. É se estamos avaliando a função com rigor, mensurando a dor com consistência e protegendo a autonomia com método, especialmente quando a vulnerabilidade não é evidente na primeira consulta.

Na sua experiência, o que mais tende a passar despercebido: fragilidade não reconhecida, dor subavaliada ou autonomia substituída?

Nem toda “piora global” em idoso com câncer é progressão tumoral.Antes de pensar em trocar de linha ou suspender o trata...
27/02/2026

Nem toda “piora global” em idoso com câncer é progressão tumoral.

Antes de pensar em trocar de linha ou suspender o tratamento, reavalie o contexto.

No serviço, declínio funcional, confusão, prostração, inapetência, quedas e idas repetidas ao pronto atendimento podem disparar uma leitura automática de progressão.

Quando isso acontece por inércia, o risco é grande: troca de conduta, escalonamento de exames e até redefinição de prognóstico sem checar causas potencialmente reversíveis que simulam piora oncológica.

Alguns fatores aparecem com frequência nesse diferencial:

Delirium — início abrupto de confusão, sonolência ou agitação pode estar ligado a medicamentos (sedativos, anticolinérgicos, opioides mal titulados, corticoides), infecção, retenção urinária, constipação, dor, privação de sono e mudança ambiental.

Desidratação e distúrbios metabólicos — baixa ingesta por náuseas, mucosite, fadiga, depressão ou barreiras de acesso pode levar a hipotensão, piora renal, alteração do sensório e queda funcional.

Polifarmácia e eventos adversos — sonolência, tontura, quedas, constipação, sangramento, hipoglicemia e hiponatremia confundem a leitura clínica.

Fragilidade não reconhecida — com reserva limitada, estressores menores podem precipitar um degrau de declínio. Sem linha de base documentada (ABVD/AIVD, cognição, nutrição, mobilidade), a equipe perde referência e atribui tudo ao tumor.

A proposta é simples e deliberadamente operacional: antes de concluir a progressão como causa principal, recuperar a linha de base, revisar a prescrição, rastrear o delirium e checar a hidratação e os metabólitos.

Não para adiar decisões necessárias, mas para evitar decisões irreversíveis baseadas em atribuição automática.

Você já viveu uma “progressão” que, depois, não era?

Na oncogeriatria, a insegurança costuma aparecer quando a decisão precisa ser tomada antes de todas as variáveis estarem...
25/02/2026

Na oncogeriatria, a insegurança costuma aparecer quando a decisão precisa ser tomada antes de todas as variáveis estarem estáveis.

Se isso vira culpa silenciosa, a equipe perde a chance de transformar dúvida em decisão melhor.

Essa sensação não surge por falha técnica isolada. Ela aparece quando a decisão real acontece sob camadas de complexidade: reserva fisiológica variável, comorbidades, polifarmácia, cognição instável, rede de suporte imperfeita e pressões do serviço.

O problema não é sentir o peso da decisão. É deixar que ele não se transforme em método.

Em oncogeriatria, decidir melhor costuma começar com duas atitudes concretas:

A primeira é qualif**ar a decisão compartilhada. Não se trata de transferir responsabilidade para a pessoa ou para a família, mas de estruturar a conversa com clareza: o que está sendo decidido, o que se ganha, o que se perde, quais incertezas permanecem e quais objetivos fazem sentido naquele momento.

Isso protege a autonomia e reduz decisões guiadas apenas por ansiedade, urgência ou expectativas desalinhadas.

A segunda é transformar a insegurança em aprendizagem organizada. Rever o caso com a equipe, com serenidade, costuma produzir perguntas mais úteis do que justif**ativas defensivas:

A preferência da pessoa foi explorada adequadamente?

Havia capacidade decisória preservada ou necessidade de suporte?

O plano estava coerente com função, cognição, sintomas e rede?

O que poderia ter sido documentado melhor?

Reconhecer a dúvida não diminui a responsabilidade. É o que permite sustentar decisões mais seguras, transparentes e alinhadas ao que importa para a pessoa idosa com câncer.

Em que situação essa sensação aparece com mais frequência no seu dia a dia: internação aguda, início de quimioterapia, transição de objetivos, UTI ou conflito família–pessoa?

Na oncogeriatria, segurança clínica começa antes da prescrição.Função, polifarmácia e cognição costumam redefinir risco ...
23/02/2026

Na oncogeriatria, segurança clínica começa antes da prescrição.

Função, polifarmácia e cognição costumam redefinir risco e tolerância mais do que o performance status.

O debate muitas vezes se reduz a “tratamento excessivo” versus “tratamento insuficiente”. Na prática, o problema mais consistente é outro: decidir sem uma avaliação estruturada.

Em pessoas idosas com câncer, algumas dimensões reclassif**am risco, tolerância e desfecho. Quando negligenciadas, aumentam a iatrogenia e as interrupções potencialmente evitáveis.

Três delas aparecem recorrentemente no serviço:

Função —ABVD, AIVD, mobilidade, histórico de quedas e trajetória recente de autonomia informam reserva fisiológica de forma mais concreta do que a impressão clínica isolada. Esses dados orientam a intensidade de tratamento, necessidade de suporte, reabilitação e metas de cuidado.

Polifarmácia — listas extensas, duplicidades e interações são frequentes e nem sempre visíveis na primeira consulta. A revisão sistemática reduz efeitos adversos confundidores e evita que eventos atribuídos ao tratamento oncológico tenham contribuição relevante de medicamentos crônicos ou sintomáticos mal ajustados.

Cognição — rastrear cognição e investigar delirium prévio influencia a capacidade de compreender riscos, adesão, necessidade de cuidador, planejamento de suporte e risco de descompensação em internações. Isso repercute diretamente no plano terapêutico e na forma de comunicação da equipe.

Decisão segura não se apoia apenas na intenção terapêutica. Depende de avaliação consistente, documentação clara e coerência entre plano, função, medicamentos, cognição e rede de suporte.

No seu serviço, o que tende a f**ar mais vulnerável antes da decisão: função, polifarmácia ou cognição?

Risco e benefício na pessoa idosa com câncer não se explicam com mais informação. Se explicam com melhor estrutura.Na pr...
20/02/2026

Risco e benefício na pessoa idosa com câncer não se explicam com mais informação. Se explicam com melhor estrutura.

Na primeira consulta, é comum a pessoa sair pensando “tanto faz” ou “tenho medo”. Muitas vezes isso não é recusa. É excesso de carga cognitiva em um momento de vulnerabilidade, com objetivos ainda pouco claros.

O que costuma ajudar é manter um roteiro consistente: definir qual decisão está na mesa, qual objetivo orienta essa decisão e qual horizonte de tempo estamos considerando.

Em seguida, perguntar preferências e preocupações de forma direta, apresentar caminhos legítimos e traduzir benefício e risco para desfechos que importam na vida diária, como função, autonomia, delirium, internação e declínio funcional.

Por fim, checar compreensão sem constranger e fechar com um plano de monitoramento e critérios de pausa reduz ruído para a equipe e aumenta segurança para a pessoa e seus acompanhantes.

Na sua rotina, onde essa conversa mais falha: na definição de objetivo, na apresentação de opções, ou no fechamento com combinado de segurança?

Todo mundo acha que cuida bem do idoso com câncer… até pegar o próximo caso.O plano pode estar perfeito no papel e inviá...
18/02/2026

Todo mundo acha que cuida bem do idoso com câncer… até pegar o próximo caso.

O plano pode estar perfeito no papel e inviável na vida real.

No meu artigo no LinkedIn mostro o que costuma mudar a rota no atendimento da pessoa idosa com câncer: triagem de vulnerabilidade (sem engessar), AGA, polifarmácia, pré-habilitação e seguimento em janela curta nas primeiras semanas.

Está no meu LinkedIn (link na bio).

Me conta aqui: no seu serviço o que mais “derruba” o plano no começo — quedas, polifarmácia, suporte social, cognição, nutrição ou o seguimento das primeiras semanas?

As transições de cuidado, especialmente na passagem pelo pronto-socorro, durante a internação e no momento da alta, conc...
16/02/2026

As transições de cuidado, especialmente na passagem pelo pronto-socorro, durante a internação e no momento da alta, concentram risco de discrepâncias, duplicidades e interações.

Em pessoas idosas com câncer, a menor reserva fisiológica e a rápida mudança do esquema terapêutico aumentam a chance de eventos adversos evitáveis.

O ponto central não é apenas o número de medicamentos. O risco aparece com fragmentação de decisões, múltiplos prescritores e ausência de uma lista única, validada e documentada com intenção clínica.

Em qual transição seu serviço identif**a mais discrepâncias: admissão, transferência intra-hospitalar ou alta?

Educação continuada é barreira de segurança assistencial.Na oncogeriatria, sem ensino estruturado, o protocolo vira inte...
13/02/2026

Educação continuada é barreira de segurança assistencial.
Na oncogeriatria, sem ensino estruturado, o protocolo vira interpretação entre setores, turnos e profissionais.

No cuidado da pessoa idosa com câncer, a passagem por ambulatório, urgência e internação expõe um problema recorrente: quando não há ensino estruturado, o protocolo deixa de orientar e passa a ser interpretado.

A consequência é variabilidade entre profissionais e turnos, decisões mais defensivas e maior chance de erros evitáveis.

Protocolos bem ensinados reduzem variabilidade. Reduzem medo. Reduzem erros evitáveis.

Mas isso só acontece quando o ensino vai além do repasse de material: precisa explicitar critérios, pontos de alerta, limites do que é esperado e quando escalar conduta.

É assim que a equipe ganha segurança decisória e o cuidado f**a mais coerente, com menos improviso e menos ruído de comunicação.

Educação em oncogeriatria é cuidado indireto, e essencial.

Se a equipe não está preparada para decidir com consistência, a pessoa idosa com câncer f**a mais exposta a atrasos, iatrogenia e trajetórias assistenciais desorganizadas.

Na sua prática, educação continuada é prioridade ou f**a para depois?

No hospital, no início do ano, três falhas costumam concentrar risco no cuidado da pessoa idosa com câncer: começar sem ...
11/02/2026

No hospital, no início do ano, três falhas costumam concentrar risco no cuidado da pessoa idosa com câncer: começar sem AGA mínima, subestimar polifarmácia nas transições e definir plano sem alinhamento explícito de prognóstico e rota.

Neste conteúdo, deixei um mínimo viável para reduzir dano quando o serviço está sob pressão.

Qual desses pontos está mais vulnerável no seu serviço hoje?

Quando cuidamos de pessoa idosa com câncer, não estamos falando de “um plus”. Estamos falando de decisão segura, ética e...
09/02/2026

Quando cuidamos de pessoa idosa com câncer, não estamos falando de “um plus”. Estamos falando de decisão segura, ética e adaptada ao corpo que a pessoa tem, à vida que ela vive e ao que ela considera aceitável.

O erro começa quando a oncogeriatria é “empurrada” para a prateleira das subespecialidades; como se fosse um “serviço à parte” que entra só quando dá tempo.

Na prática, isso terceiriza justamente a parte mais determinante do cuidado: reconhecer vulnerabilidades, antecipar risco, ajustar plano e sustentar escolhas coerentes ao longo do tempo.

Oncogeriatria não é nicho na oncologia. É um modo de pensar que atravessa toda a jornada: da suspeita e do diagnóstico ao preparo para tratamento, prevenção de iatrogenias, manejo de sintomas, reavaliações seriadas e transições de cuidado.

E aqui tem um ponto importante: oncogeriatria não depende apenas do especialista para existir. Ela depende de responsabilidade clínica compartilhada: medicina, enfermagem e equipe multiprofissional, cada um do seu lugar, fazendo o básico bem-feito e registrando o que muda conduta.

Ao longo da jornada, isso deve virar perguntas estruturantes e registradas:

Como essa pessoa funciona no cotidiano?

Quais vulnerabilidades importam para o tratamento?

Quem compõe a rede de apoio?

Quais são limites e prioridades para essa pessoa?

Esse olhar não “complica” o cuidado. Ele dá segurança para decidir melhor, reduz ruído entre equipes e protege a pessoa idosa de condutas “padrão” que podem ser clinicamente inadequadas.

Você concorda ou discorda? Por quê?

Endereço

São Paulo, SP
01332-000

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 08:00 - 17:00
Terça-feira 09:00 - 17:00
Quarta-feira 09:00 - 17:00
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