23/06/2021
VAZIO EXISTENCIAL
Eu acredito que muita gente já parou em algum momento da vida pra se perguntar: por qual razão continuo seguindo em frente? Diante de uma pergunta tão forte, provavelmente a maior parte das pessoas também acaba se deparando com um buraco enorme dentro de si, vazio e que representa uma falta de algo que nunca sabemos o que é.
Por não sabermos o que falta, possivelmente jogaremos coisas dentro deste buraco pra tentar tampar. Jogamos comida, jogos, viagens, baladas, dr**as, relacionamentos, pra no fim percebermos que o vazio continua lá (e talvez ainda maior, depois do fracasso de tentar preenchê-lo).
Mas então, é isso? É sobre aceitar que somos insuficientes e que correremos atrás do próprio rabo, como cachorros, até morrer?
Bom, não deixa de ser uma perspectiva de vida, mas eu gostaria de trazer aqui uma forma de compreensão, a partir da ANÁLISE DO COMPORTAMENTO, sobre o que pode ser ou representar esse vazio.
Não é simples compreender tal questão dentro da visão comportamental. Basta se fazer a pergunta e você perceberá como ela é ampla e vaga: O que é vazio existencial? O que é uma crise existencial? Provavelmente, pra tentar solucionar isso você terá muitas respostas, muitas perguntas, ou os dois.
Então a partir de tanta dúvida, podemos tentar um raciocínio que enxerga essa questão existencial na prática. Em quais momentos isso te importa? Essas questões provavelmente aparecem pra você no dia a dia também (e não apenas quando você pode olhar pra uma janela com o tempo chuvoso e se imaginando num clip triste da Lana Del Rey).
Estes pensamentos parecem dizer a respeito do sentido geral da vida, então são confusos, ambíguos, mas que podem desencadear uma necessidade de compreender coisas como: quem sou eu? o que signif**a a minha vida? qual é meu desejo?
Do ponto de vista comportamental, a resposta para estas perguntas estará na sua história de aprendizagem e no presente. Não tentaremos então explicar a falta que sentimos a partir da ideia de que precisamos de algo, mas sim de que CADA UM TERÁ UMA RESPOSTA DIFERENTE para a questão existencial, e que a compreensão disso se dará a partir de uma análise sobre o que representa, na prática de sua vida, a falta que sente das coisas que nem sabe o que é.
FICOU CONFUSO, NÉ? Mas vamos pensar em um exemplo: imaginemos, hipoteticamente, uma pessoa que se diz tímida, se preocupa muito com a opinião dos outros e tem medo de desagradar ou causar uma má impressão. Ao mesmo tempo, conta que é submisso nos relacionamentos, evita falar de si mesmo e dizer suas opiniões, desvia o olhar quando conversa com as pessoas e f**a com as bochechas vermelhas quando é abordado para uma conversa, assim por diante... Consequentemente, esta pessoa não tem amigos íntimos, apenas “conhecidos”, é solteiro (mas diz que queria muito namorar) e está desempregado. Digamos que essa situação se mantenha por muitos anos, o sofrimento fique insuportável e então lhe ocorram pensamentos suicidas, sugerindo também um quadro depressivo. Ele então decide buscar terapia.
É muito possível que, nas sessões, essa pessoa traga que sua vida é vazia, ou que falta um sentido. É muito provável que essa fala esteja dizendo a respeito dessa descrição de vida, que quando acontece, pode conter respostas e caminhos que poderiam transformar essa realidade e vazio.
Então, depois desse exemplo, podemos pensar em duas perguntas fundamentais, a partir da visão comportamental: 1. O que você viveu, durante toda sua vida, que tem relação com sua sensação de que está vazio? 2. Quais sentimentos, pensamentos, ações e contextos te levam a relatar que sua vida não faz sentido?
É um desafio grande, mas é uma forma de aproximar o sentimento de vazio existencial de algo que lhe faça mais sentido, prático e com a possibilidade de mudar
A psicoterapia pode ser o meio e a ferramenta que levará o indivíduo a conseguir, talvez, atingir essa forma de pensar e de questionar sua própria vida. Quando se tem um espaço para falar, ser acolhido e escutado de uma forma qualif**ada, as possibilidades de transformação são tão grandes e numerosas quanto o vazio que se sente quando não se pode compreender.
Lucas Cova, Psicólogo Comportamental
CRP 06/170515
Atendimentos Online e Presencial